Green Rio Tech 2026: um marco para a economia sustentável no Rio de Janeiro
A 14ª edição do Green Rio Tech – Blue Economy Rio Summit 2026, realizada nos dias 29 e 30 de outubro na AXIA Marina da Glória, reuniu cerca de 4.500 participantes, 95 expositores, 181 palestrantes e comitivas de 11 países. O encontro teve como objetivo estruturar novos ecossistemas de negócios focados em sustentabilidade, servindo como palco para acordos internacionais de cooperação técnica, lançamentos de plataformas digitais para gestão ambiental e a divulgação de indicadores inéditos que mostram a representatividade da economia do mar no Produto Interno Bruto (PIB) do estado do Rio de Janeiro.
Organização institucional e apoio técnico
O evento contou com o suporte fundamental da Secretaria de Estado do Ambiente e Sustentabilidade (SEAS) e da Secretaria Especial de Integração Metropolitana da Prefeitura do Rio de Janeiro (SEIM-Prefeitura). No ambiente de suporte produtivo e científico, o Sebrae Rio incentivou micro e pequenas empresas, a Fundação Carlos Chagas Filho de Amparo à Pesquisa do Estado do Rio de Janeiro (Faperj) financiou pesquisas aplicadas, o Conselho Regional de Engenharia e Agronomia do Rio de Janeiro (CREA-RJ) detalhou diretrizes para engenharia ambiental, e o Itaipu Parquetec contribuiu para a estruturação da transição energética nacional.
Economia azul: força e potencial no Rio de Janeiro
Durante o Blue Economy Rio Summit e o Fórum Soluções Azuis – Rumo à Década dos Oceanos, o Grupo Economia do Mar (GEM) da Escola de Guerra Naval apresentou um mapeamento detalhado das atividades marítimas no estado, referente a 2024. Os dados apontam para um faturamento estimado em R$ 384,2 bilhões, representando aproximadamente 13,5% do faturamento estadual, com 388.218 empregos formais diretos e 15.918 estabelecimentos ativos ligados ao setor marítimo.
A pesquisa coordenada pelo professor Thauan Santos identificou oportunidades em setores estratégicos como a transição energética offshore, que integra infraestrutura petrolífera existente a novas matrizes renováveis; o descomissionamento sustentável de plataformas, com reciclagem industrial e recuperação ambiental; portos inteligentes que automatizam processos logísticos; e suporte logístico para energia eólica marítima, com adaptação do parque naval para montagem e manutenção de aerogeradores.
Plataforma Guanabara Azul: inovação para gestão ambiental
Em parceria técnica com a SEAS, o Laboratório de Métodos Computacionais em Engenharia (LAMCE/COPPE/UFRJ) lançou a Plataforma Guanabara Azul, sistema computacional que integra bancos de dados em tempo real para monitoramento oceanográfico, análise da qualidade da água e suporte a políticas públicas voltadas à preservação da Baía de Guanabara. Essa iniciativa traz maior segurança e previsibilidade para a gestão do ecossistema costeiro e para decisões empresariais e governamentais.
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Bioeconomia e produtividade agrícola em foco
O ex-ministro da Agricultura e professor emérito da Fundação Getulio Vargas (FGV), Roberto Rodrigues, analisou a evolução do agronegócio brasileiro entre 1990 e 2026, destacando o crescimento da área plantada de grãos em 125% e o aumento da produção total em 534%, resultado do avanço tecnológico que permitiu poupar cerca de 150 milhões de hectares de floresta preservada.
Apesar dos ganhos, o setor enfrenta desafios como a necessidade de ampliar investimentos em pesquisa e desenvolvimento (P&D), fortalecer infraestrutura logística e multimodal, ampliar o seguro rural para pequenos e médios produtores e avançar em acordos comerciais para eliminar barreiras tarifárias e não tarifárias para produtos biobaseados.
Tecnologia e sustentabilidade na bioeconomia aplicada
Tecnologias inovadoras foram apresentadas, como embalagens celulósicas compostáveis para substituir plásticos descartáveis, bioinsumos agrícolas e aproveitamento de resíduos agroindustriais para produção de biogás e biometano. A biofábrica 4.0 na Região Amazônica, focada no processamento de cacau e fabricação de chocolates finos, destacou a conexão entre tecnologia, rastreabilidade e valorização das cadeias produtivas locais.
Cooperação internacional e avanços tecnológicos
Delegações da Suécia, Alemanha, Costa Rica e China fecharam acordos estratégicos para o desenvolvimento de mercados verdes. A Suécia trouxe soluções para mobilidade e descarbonização, incluindo baterias de alta densidade, veículos autônomos para operações portuárias e embarcações elétricas para hidrovias. O simpósio Seaweed Futures, em parceria com a Alemanha, destacou o potencial das macroalgas como matéria-prima para alimentos, cosméticos, têxteis, embalagens e agricultura sustentável.
Parcerias regionais e governança metropolitana
O Green Rio Tech 2026 também marcou a formalização de acordos importantes, como o Acordo Conleste e Bioeconomia, que foca em economia circular e capacitação para empregos verdes na Região Leste Fluminense. A parceria Rio-Costa Rica promove intercâmbio de metodologias para planejamento urbano resiliente. Já o acordo com o Beijing Green Development Forum aproxima os mercados do Rio de Janeiro e Pequim em tecnologias e investimentos sustentáveis.
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Em debates sobre o futuro urbano, foram discutidas a expansão de transporte de massa de baixa emissão, o adensamento urbano planejado, a resiliência climática de infraestruturas e o aproveitamento de áreas degradadas na cidade do Rio de Janeiro.
Impacto econômico e desafios futuros
A 14ª edição do Green Rio Tech elevou o estado do Rio de Janeiro a um novo patamar na economia verde e azul na América Latina. A economia do mar, que responde por 13,5% do faturamento estadual, deixa de ser um conceito ambiental para se tornar um setor industrial robusto, atraindo investimentos em descomissionamento naval, logística portuária e transição energética.
O avanço de plataformas como a Guanabara Azul adiciona segurança jurídica para investimentos e políticas públicas. A integração entre bioeconomia agrícola e mercados internacionais por meio de acordos tecnológicos acelera a adoção de padrões ESG no setor produtivo local.
O principal desafio será transformar esses acordos em unidades produtivas operacionais, garantindo financiamento constante para ampliar a produtividade biotecnológica e modernizar infraestruturas urbanas e portuárias. Vargas (FGV) reforça a importância de manter esse ritmo para consolidar o Rio como referência em sustentabilidade e inovação econômica.

