Análise do Crescente Interesse de Governadores pela Disputa Senadora em 2024
Recentemente, observou-se um aumento significativo no interesse de governadores em disputar uma vaga no Senado em 2024. Dos 18 governadores que não podem se reeleger neste ano, dois terços já manifestaram a intenção de concorrer a uma das 54 cadeiras disponíveis. O número de 12 pré-candidaturas é impressionante, superando em quatro vezes o total de governadores que se lançaram ao Senado em 2018, onde apenas três buscaram essa oportunidade. Na eleição de 2022, esse número foi de apenas quatro governadores, mostrando uma tendência crescente que, segundo especialistas em política, pode estar relacionada ao fortalecimento do Congresso e ao foro privilegiado garantido por oito anos aos parlamentares.
A possibilidade de foro privilegiado é uma das principais motivações apontadas por cientistas políticos ouvidos pelo GLOBO. A avaliação positiva de muitos governadores em seus estados também contribui para esse cenário, que faz com que a disputa pelo Senado se torne uma opção atrativa para aqueles que avaliam suas chances de sucesso nas urnas.
Os governadores que desejam efetivamente se candidatar devem renunciar aos seus cargos até abril, seis meses antes da eleição, e enquanto alguns já se posicionam como candidatos, outros ainda estão analisando a melhor estratégia a ser adotada, prometendo decidir mais perto do prazo de desincompatibilização.
Fátima Bezerra, do PT no Rio Grande do Norte e João Azevêdo, do PSB na Paraíba, já estão em fase de articulação política para suas candidaturas, reconhecendo que seus esforços visam não apenas suas próprias eleições, mas também a reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
Bezerra destacou a relevância de sua candidatura dentro das prioridades do PT a nível nacional. “Entendo a importância da disputa no Congresso para a democracia”, afirmou a governadora. Por outro lado, Helder Barbalho, do MDB no Pará, confirmou sua intenção de concorrer ao Senado, prometendo dialogar com os paraenses e trabalhar por questões como segurança pública, desenvolvimento amazônico e redução do custo da energia elétrica.
No lado oposto, o governador de Roraima, Antonio Denarium, do PP, confia na aprovação popular de sua administração para garantir uma vaga no Senado, assegurando que os processos em andamento no Tribunal Superior Eleitoral (TSE), relacionados a alegações de abuso de poder nas eleições de 2022, não impedirão sua candidatura. “Planejo deixar o governo no início do ano para me candidatar e tenho apoio suficiente”, disse Denarium, que espera que o TSE conclua seu julgamento antes das eleições, reconhecendo a ausência de crimes em sua gestão.
Para o cientista político Murilo Medeiros, da Universidade de Brasília (UnB), a busca por cadeiras no Senado reflete uma “safra numerosa” de governadores bem avaliados que percebem o fortalecimento das instituições. Medeiros argumenta que o Senado evoluiu para deixar de ser visto como o “fim de carreira” e se tornou uma plataforma de poder duradouro. A presença de duas vagas por estado aumenta a competitividade para os governadores, que chegam ao pleito com ampla visibilidade e experiências administrativas reconhecidas.
Em 2018, apenas três governadores tentaram uma vaga no Senado, com Confúcio Moura sendo o único eleito. Já em 2022, o cenário mudou, com quatro governadores conquistando suas cadeiras: Renan Filho (AL), Wellington Dias (PI), Flávio Dino (MA) e Camilo Santana (CE). Essa mudança no panorama eleitoral sinaliza uma nova realidade política e pode motivar ainda mais governadores a se candidatarem.
A cientista política Carolina Botelho ressalta que o crescente interesse de governadores por assentos no Senado pode estar ligado a uma estratégia bolsonarista, uma vez que a Casa é vista como uma forma de minimizar os poderes do Supremo Tribunal Federal (STF). Essa situação gera reações no campo da esquerda, que busca articular candidaturas competitivas para evitar a hegemonia da direita no Legislativo.
Para governadores que enfrentam processos judiciais, como Cláudio Castro, do Rio de Janeiro, a candidatura ao Senado pode representar uma oportunidade de blindagem legal. Castro, que também lida com um processo de cassação no TSE, descreveu sua intenção de manter a agenda de segurança pública como prioridade nacional caso sua candidatura se concretize.
Por outro lado, alguns governadores consideram a possibilidade de concorrer ao Senado, mas indicam que farão uma análise mais profunda sobre suas eleições apenas perto do prazo de desincompatibilização. Eduardo Leite (PSD-RS), Ibaneis Rocha (MDB-DF) e outros estão entre eles. Já Romeu Zema (Novo-MG), Ronaldo Caiado (União-GO) e Ratinho Júnior (PSD-PR) descartaram a ideia e concentram esforços em candidaturas à presidência da República. Caso algum deles alcance a vitória, seria um marco inédito, quebrando um jejum de 37 anos desde que um governador, Fernando Collor de Alagoas, venceu Lula no segundo turno. Enquanto isso, Wanderlei Barbosa (Republicanos-TO), Carlos Brandão (sem partido-MA) e Paulo Dantas (MDB-AL) afirmaram que não entrarão em campanha e permanecerão em seus postos até o final de seus mandatos.

