O Crescimento do Turismo de Bem-Estar
O turismo de bem-estar deixou de ser um segmento marginal e se consolidou como uma força propulsora no cenário econômico de Belém. Com impactos significativos na geração de renda e na diversificação do setor turístico, esse nicho ganha cada vez mais relevância. Segundo o Global Wellness Institute (GWI), o mercado global de turismo de bem-estar deve atingir a impressionante marca de US$ 1,06 trilhão até 2026, com um crescimento anual projetado entre 8,2% e 9,6%. Esse crescimento é impulsionado pela crescente busca por saúde mental, autocuidado e experiências personalizadas. O movimento se insere em um contexto mais amplo da economia do bem-estar, que abrange áreas como turismo, fitness, nutrição e estética, apontando para um mercado que, segundo o GWI, deve alcançar US$ 9,8 trilhões até 2029, sendo um dos mais dinâmicos globalmente.
No Brasil, o impacto econômico já é notável. Dados de 2025 indicam que o setor de wellness movimenta cerca de R$ 565 bilhões anuais. Esse crescimento se dá em sintonia com o bom momento do turismo nacional. O Ministério do Turismo revelou que o Brasil recebeu mais de 9,2 milhões de turistas internacionais em 2025, um aumento de 40% em relação ao ano anterior, o que propicia a expansão de nichos como o turismo de bem-estar. A expectativa do governo federal é de que a receita do turismo brasileiro na alta temporada de 2026 chegue a R$ 218 bilhões, estabelecendo um novo recorde histórico.
Cenário em Belém: Experiências Personalizadas e Economia Local
Em Belém, o crescimento do turismo de bem-estar apresenta características peculiares. Felipe Marujo, coordenador de um grupo que promove experiências voltadas ao público feminino, aponta que este turismo evoluiu para um produto autônomo, com frequências de consumo e preços médios específicos. “Hoje, ele se estrutura como um produto próprio. Existe uma demanda recorrente, com consumos que ocorrem em ciclos mensais ou bimestrais, refletindo a maturidade do mercado”, explica.
Três fatores principais impulsionam esse avanço: o cansaço urbano crônico enfrentado em Belém, o reconhecimento do autocuidado como um investimento em saúde física e mental, e a valorização da Amazônia como um ativo terapêutico, que oferece experiências que vão além do turismo tradicional.
Esse movimento tem impactos diretos na economia local. Ao contrário do turismo de massa, o turismo de bem-estar atua com grupos menores e mais especializados, promovendo uma distribuição de renda mais descentralizada. “É um efeito econômico silencioso, mas profundo. Ele ativa uma cadeia produtiva que envolve profissionais de saúde integrativa, educação física, estética, além de barqueiros, cozinheiros de ilhas e produtores locais”, destaca Marujo.
Transformando a Rotina dos Moradores
Do ponto de vista do consumo, a busca por bem-estar também está mudando a forma como os moradores priorizam seus gastos. Mariela Tavares, jornalista e frequentadora de experiências de bem-estar, comenta que essas práticas se tornaram parte de sua rotina. “Busquei equilibrar meu lado profissional com o meu bem-estar. São pausas conscientes que fazem diferença. Ter acesso a um banho de rio na Ilha do Combu, a poucos minutos da cidade, me permite desacelerar e recarregar as energias”, afirma.
Para Mariela, o investimento em experiências de bem-estar não compete com outras formas de lazer, mas reorganiza prioridades. “É algo próximo, que reduz custos e se encaixa melhor na rotina. Não é competição, é estratégia”, enfatiza.
A diversidade de opções e faixas de preço também favorece a expansão do mercado. “Belém oferece experiências autênticas, que envolvem gastronomia regional, natureza, cultura e práticas de autocuidado, acessíveis a diferentes orçamentos”, destaca a jornalista.
Desafios e Oportunidades no Setor
Apesar do crescimento promissor, o setor ainda enfrenta desafios significativos. Entre os principais estão a logística, os custos operacionais e a necessidade de melhorar a comunicação com o público. “Há uma confusão entre bem-estar, luxo e elitização. O maior desafio é cultural: fazer o mercado entender que bem-estar não é uma tendência passageira, mas uma infraestrutura emocional essencial da sociedade contemporânea”, avalia Marujo.
Ele ressalta a importância de políticas públicas que facilitem o acesso e a logística, especialmente na Amazônia, onde as distâncias e os custos impactam o preço final dos serviços. Mesmo assim, as perspectivas são otimistas. O turismo de bem-estar em Belém já demonstra viabilidade econômica, desde que operado com estratégia. “Quando o negócio compreende que não vende apenas serviços, mas transformações, é viável manter margens saudáveis”, conclui.

