Operação Conjunta Revela Irregularidades no Porto do Rio
Uma operação conjunta da Receita Federal e da Polícia Federal está em andamento para investigar um esquema de corrupção no Porto do Rio de Janeiro. Essa ação, a maior já realizada pela Corregedoria da Receita, teve como base investigações que se estenderam por quase quatro anos, resultando na identificação de 25 servidores públicos e nove despachantes aduaneiros envolvidos em irregularidades.
Durante a operação, foram cumpridos mandados de busca e apreensão que revelaram quantias expressivas em dinheiro. Em uma das residências, foram encontrados R$ 120 mil, enquanto em outra casa o total chegou a R$ 200 mil. Em um terceiro local, a ação resultou na apreensão de US$ 358 mil, além de R$ 2 milhões em euros e dólares, escondidos dentro de um piano na residência de uma auditora fiscal. Para completar a lista de apreensões, um despachante aduaneiro foi encontrado com 54 garrafas de vinho, cada uma avaliada em cerca de R$ 700.
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A Receita Federal revelou que a investigação, que contou com o suporte do Ministério Público Federal, identificou indícios de irregularidades em quase 17 mil declarações de importação, que ocorreram entre julho de 2021 e março de 2026. Esses carregamentos incluíam produtos variados, desde alimentos até equipamentos utilizados na indústria de óleo e gás, somando um valor estimado de R$ 86 bilhões.
Guilherme Bibiani, corregedor da Receita Federal, observou que qualquer tentativa de calcular o valor dos tributos sonegados neste caso é, no mínimo, um exercício complicado. “Certamente, estamos falando de bilhões de reais”, afirmou Bibiani.
As investigações apontam que os servidores envolvidos no esquema ignoravam irregularidades ou reclassificavam mercadorias para categorias com impostos menores. Além disso, alguns produtos que deveriam estar sob a supervisão de autoridades sanitárias conseguiram entrar no Brasil sem a devida autorização.
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“Alimentos que deveriam ser controlados por órgãos específicos estavam entrando no país devido a esse esquema”, destacou Guilherme Bibiani, ressaltando a gravidade das falhas no controle alfandegário.
O levantamento das investigações também revelou que despachantes aduaneiros atuavam como intermediários entre os servidores e empresários que pagavam propinas. Um dos principais suspeitos de liderar o esquema é o auditor-fiscal Pedro Antonio Pereira Tiago, que ocupou o cargo de delegado da Alfândega no Porto do Rio de janeiro entre dezembro de 2020 e novembro de 2023.
As investigações ainda estão em andamento, e a Receita Federal busca identificar quais empresas se beneficiaram desse esquema de corrupção. Todos os servidores suspeitos foram afastados de suas funções, e para garantir a continuidade do trabalho no Porto do Rio, 50 funcionários de outras regiões foram designados para atuar na área. Uma das metas principais agora é descobrir quem efetivamente pagou as propinas.
A Autoridade Portuária do Rio de Janeiro se manifestou, afirmando que não é alvo da investigação e que não possui relação com os fatos apurados até o momento. O Jornal Nacional tentou entrar em contato com o auditor Pedro Antonio Pereira Tiago, mas não obteve retorno.

