Banda Filarmônica Professor José Agostinho e seu papel na Cultura Amazônica
No último domingo (26), a Casa da Cultura de Santarém foi palco do emocionante primeiro concerto da Banda Filarmônica Professor José Agostinho, intitulado “Concerto Rio 2026”. O evento atraiu aproximadamente 200 pessoas e fez parte da mobilização para a participação do grupo no Fringe Festival – Festival Por Todas as Bandas, que será realizado durante a 21ª Conferência Internacional da World Association for Symphonic Bands and Ensembles (WASBE). Este importante evento está programado para ocorrer entre os dias 21 e 25 de julho de 2026, no Rio de Janeiro.
O repertório cuidadosamente elaborado para essa apresentação trouxe à tona a identidade cultural do Norte e a diversidade da Música Brasileira, utilizando uma linguagem sinfônica. Composições como “Pé na Areia” e “Rei Solano”, de Sebastião Tapajós, além de um pout-pourri de carimbós, destacaram a rica sonoridade amazônica, que é permeada por ritmos e influências da região. O “Concerto Rio 2026” também apresentou uma variedade de estilos musicais, incluindo clássicos da música nordestina e hits da música pop, tanto nacional quanto internacional.
Rafael Brito, regente da Filarmônica Municipal, comentou sobre a importância do repertório, afirmando: “Trazemos um conjunto de peças que se tornaram parte do nosso repertório regular e outras que foram especialmente selecionadas para o Concerto Rio 2026. Queremos valorizar compositores da nossa região, como Wilson Fonseca e Sebastião Tapajós, enquanto ampliamos o diálogo com músicos do Norte e do Nordeste. Nossa intenção é homenagear ritmos e expressões como o carimbó e o beiradão de Manaus, além de artistas como Dona Onete e Pinduca, ressaltando a diversidade e a força da música que é produzida no Norte do Brasil.”
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Reconhecimento internacional e apoio municipal
Pela primeira vez, a conferência internacional irá reunir músicos, maestros e educadores de diferentes partes do mundo. A Banda Filarmônica Professor José Agostinho é uma das seis bandas sinfônicas do Brasil escolhidas para representar o país no evento, consolidando o reconhecimento nacional e internacional do trabalho desenvolvido pelo grupo de Santarém, que se destaca na valorização da música brasileira e dos ritmos amazônicos.
Adon Wender Tertulino, diretor da Filarmônica Municipal, expressou o orgulho da banda em ser convidada para o evento, comentando: “A Filarmônica Municipal, que está prestes a completar 64 anos, tem se dedicado a ganhar visibilidade. Tivemos apresentações marcantes, como no Theatro da Paz, e a participação neste festival tem um significado muito especial para nós, já que somos a única banda das regiões Norte e Nordeste selecionada. É um motivo de enorme satisfação participar de um evento desse porte.”
A Prefeitura de Santarém, através da Secretaria Municipal de Cultura (Semc), está apoiando a viagem dos 40 músicos que fazem parte da Filarmônica Municipal, reconhecendo a importância da participação da banda sinfônica no festival e a visibilidade que ela proporciona ao município e à região.
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Priscila Castro, secretária municipal de Cultura, destacou: “A Semc está organizando a ida dos músicos ao Rio de Janeiro em julho e também está buscando parcerias para garantir a estadia durante o evento. Além disso, promoveremos concertos para arrecadar recursos, assegurando conforto e segurança para todos os integrantes. Isso é um reconhecimento do prestígio que a Filarmônica vem conquistando e da representatividade que leva para os artistas da nossa região.”
Uma história de tradição cultural e educação musical
A Banda Filarmônica Professor José Agostinho é uma das expressões culturais mais tradicionais de Santarém, com uma trajetória que se estende por cerca de 64 anos. Durante esse tempo, o grupo desempenhou um papel essencial na formação musical de diversas gerações e na promoção da música de sopro no município.
Fundada em 1963 pelos irmãos Wilson e Wilde Dias da Fonseca, a Banda iniciou suas atividades com ensaios no Tiro de Guerra 190. O comprometimento de seus integrantes e a liderança de personalidades como Sebastião Nogueira Sirotheau e Wilson Dias da Fonseca permitiram que a Filarmônica se tornasse uma das expressões culturais mais relevantes do município.
Em reconhecimento à sua importância histórica, a banda foi agraciada em 2008 com o título de Patrimônio Cultural e Imaterial de Santarém. A partir de 2013, sob a regência de João Paulo Fonseca, a Filarmônica passou por um processo de renovação artística, que incluiu projetos inovadores, como a gravação de DVDs de trilhas sonoras de cinema e a realização de concertos temáticos, como “Concerto Nordestino” e apresentações natalinas, ampliando seu alcance ao público.
Além de se apresentar em palcos renomados, a Filarmônica também investe na formação de novos músicos por meio da Academia de Música Professor Wilde Fonseca, criada em 2011. Esse trabalho pedagógico é fundamental para a continuidade da tradição musical na cidade e fortalece grupos como a Orquestra Filarmônica de Santarém. Com shows realizados em locais importantes, como o Theatro da Paz, e eventos em Manaus e Vigia de Nazaré, a banda reafirma seu papel na promoção da música e na valorização da identidade cultural amazônica.

