Movimentações Politicas na Véspera da Eleição
Com a eleição para a presidência da Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj) se aproximando, o Partido Liberal (PL) está considerando a possibilidade de manter Guilherme Delaroli como interino. Isso ocorre enquanto o grupo liderado por Eduardo Paes busca alianças e tenta identificar traições em suas fileiras. O deputado Douglas Ruas, que se destaca como uma figura forte dentro do PL, enfrenta um cenário complicado devido a incertezas jurídicas sobre a sucessão do governo estadual. O Partido Social Democrático (PSD), que está apoiando Vitor Junior, está pressionando por votação secreta e tentando expandir sua base de apoio.
A definição da data para a escolha do novo presidente da Alerj intensificou as articulações políticas na Casa. O PL, que possui a maior bancada, vê em Douglas Ruas um potencial candidato ao governo do estado. No entanto, a possibilidade de manter Delaroli, que assumiu o cargo após a cassação de Rodrigo Bacellar, ganhou força nos últimos dias. Enquanto isso, os aliados de Paes apostam em Vitor Junior e tentam explorar divisões entre os partidos rivais para melhorar sua posição.
Impasse Jurídico Afeta Candidaturas
Parlamentares consultados de forma reservada indicaram que o impasse entre os governistas está ligado a incertezas jurídicas sobre o futuro presidente da Alerj. Há preocupações de que a nova liderança não consiga assumir o governo do Rio, especialmente após a decisão do Supremo Tribunal Federal (STF) que mantém o desembargador Ricardo Couto à frente do Executivo estadual até que o caso seja julgado. Este cenário torna a presidência da Alerj, que não possui acesso à estrutura governamental, menos atrativa para Ruas.
Na reunião da bancada do PL, realizada na quarta-feira, não foi tomada uma decisão definitiva sobre a questão, e uma conclusão deverá ocorrer nesta quinta-feira. Políticos próximos a Paes também contataram Delaroli em busca de um acordo, sinalizando que poderiam não apoiar um candidato de oposição caso ele fosse escolhido para continuar na presidência da Casa. No entanto, líderes do PL rejeitaram essa possibilidade, afirmando que não consideram composições com os adversários.
Alianças e Estratégias em Jogo
Essa movimentação por parte dos aliados de Paes sugere uma tentativa de estreitar laços com parlamentares do PL. Além disso, o PSD busca apoio de outras legendas, como o Progressistas (PP) e o Republicanos, que até o momento eram considerados mais alinhados ao PL. Após a janela partidária, o PL conta com 23 deputados. Com o apoio dos partidos União Brasil e PP, que já se manifestaram em favor de Ruas na corrida ao governo em outubro, a aliança pode ultrapassar os 36 votos necessários para eleger o novo presidente da Alerj.
No entanto, o PDT protocolou um pedido à Justiça para que a votação ocorra de forma secreta. A ação, que conta com a assinatura de Vitor Junior e da deputada Martha Rocha, será analisada pela desembargadora Suely Lopes Magalhães, vice do presidente do Tribunal de Justiça, Ricardo Couto, que atualmente ocupa o cargo de governador interino.
Reviravoltas nas Estratégias e Candidaturas
Na semana passada, o PSD havia se posicionado contra o voto secreto em outra situação, que envolvia uma eleição indireta para o governo estadual, uma vez que a avaliação interna indicava que Paes não teria maioria mesmo em uma votação secreta. No entanto, nas últimas semanas, seus aliados têm acelerado ações para fortalecer sua aliança, que atualmente conta com 22 votos supostamente garantidos na Alerj, o que renovou a busca por traições entre os adversários.
Por outro lado, o círculo próximo a Ruas acredita que optar pela votação secreta pode beneficiá-lo, ajudando a conquistar apoios até mesmo entre parlamentares do PSD. Em uma eleição anterior para a presidência da Alerj, ocorrida em março e posteriormente anulada pela Justiça, alguns deputados do PSD já haviam votado a favor de Ruas.
O presidente estadual do PL, deputado Altineu Côrtes, comentou: ‘Paes fez uma série de movimentos tentando passar por cima da Assembleia, e isso acaba unindo os deputados contra essa movimentação’. No entanto, os nomes de outros postulantes, como Rosenberg Reis (MDB) e Renata Souza (PSOL), também estão em pauta para a presidência da Casa. O grupo de Paes tem como meta desmobilizar a candidatura do PSOL, com a intenção de conquistar os cinco votos da legenda e ainda articula alianças com partidos menores, como Solidariedade e Avante, que já formaram um bloco de cinco deputados no início do ano.

