Surto de Hantavírus em Cruzeiro no Atlântico
Um surto de hantavírus em um cruzeiro no Atlântico resultou na confirmação de três mortes e em cinco casos suspeitos, de acordo com informações da Organização Mundial da Saúde (OMS). O hantavírus, uma doença transmitida principalmente por roedores, pode levar a síndromes respiratórias graves. Em resposta à situação, a OMS está investigando os casos e coordenando a assistência médica, além da evacuação dos passageiros afetados.
Os sintomas do hantavírus podem incluir febre, dores musculares e, em casos mais críticos, complicações respiratórias. Atualmente, não existe um tratamento específico para a infecção, sendo necessário apenas cuidados de suporte para os pacientes. O cenário é preocupante, especialmente considerando que um dos infectados permanece em estado grave em uma unidade de terapia intensiva na África do Sul.
Investigação da OMS e Cuidados com os Passageiros
A OMS informou que está realizando uma investigação detalhada sobre os casos, que inclui novos testes laboratoriais, análises epidemiológicas e o sequenciamento do vírus. A entidade está colaborando com governos de países-membros e operadores do navio para garantir assistência médica adequada a passageiros e tripulantes. Os dois passageiros sintomáticos estão sendo evacuados para avaliação de risco sanitário em relação aos demais a bordo.
O que é o Hantavírus?
O hantavírus é um grupo de vírus cuja principal fonte de infecção são roedores silvestres. A transmissão para humanos ocorre principalmente pela inalação de partículas contaminadas que se encontram na urina, fezes ou saliva desses animais, especialmente em ambientes fechados. Em situações raras, a transmissão entre pessoas pode acontecer. O diagnóstico é realizado por meio de testes laboratoriais específicos.
De acordo com o Centro de Controle e Prevenção de Doenças dos Estados Unidos (CDC), os hantavírus podem resultar em duas principais síndromes: a síndrome pulmonar por hantavírus (SPH), mais comum nas Américas, e a febre hemorrágica com síndrome renal (FHSR), predominante na Europa e na Ásia. Entre elas, o vírus Seoul, que provoca FHSR, é amplamente distribuído, incluindo nos EUA.
Sintomas e Tratamento do Hantavírus
A síndrome pulmonar por hantavírus é uma condição grave e potencialmente fatal que impacta diretamente os pulmões. Os sintomas podem se manifestar de uma a oito semanas após o contato com um roedor infectado, incluindo fadiga, febre, dores musculares — especialmente nas coxas, quadris e costas —, além de dores de cabeça, tontura, calafrios e desconfortos abdominais como náuseas, vômitos e diarreia.
Entre quatro e dez dias após o início dos sintomas, o paciente pode desenvolver tosse e dificuldade para respirar, à medida que os pulmões se enchem de líquido, sendo a taxa de mortalidade para aqueles que apresentam os sintomas respiratórios em torno de 38%. Já a febre hemorrágica com síndrome renal apresenta sintomas que podem demorar de uma a duas semanas para aparecer, incluindo dores intensas de cabeça, dor nas costas e no abdômen, febre, calafrios, náuseas e alterações na visão.
Em casos mais avançados, a febre hemorrágica pode resultar em pressão baixa, hemorragias internas e insuficiência renal aguda. Apesar de sua gravidade, a taxa de mortalidade da FHSR é menor que a da SPH, variando entre 5 e 15% segundo o CDC. Vale ressaltar que não há tratamento específico para a infecção por hantavírus; o suporte médico é fundamental, com foco em repouso, hidratação e controle dos sintomas.
A OMS, por sua vez, noticiou que já acionou seus pontos focais nacionais em conformidade com o Regulamento Sanitário Internacional e planeja divulgar um informe público mais detalhado sobre o surto nos próximos dias. A atenção à saúde dos passageiros e a investigação dos casos seguem como prioridade.
