A Tendência do Aluguel por Temporada
A alta dos preços de aluguéis no Brasil intensificou-se em 2026, superando os índices de inflação. O índice FipeZAP aponta um aumento de 0,84% em março, refletindo uma demanda aquecida e uma oferta limitada em diversas capitais. Especialistas afirmam que o crescimento das plataformas de locação por temporada está contribuindo para esse cenário. A advogada imobiliária Dayene Lopes destaca que muitos proprietários, especialmente em áreas turísticas, preferem alugar por períodos curtos, que oferecem retornos financeiros mais atrativos. Essa mudança resulta na diminuição da oferta de imóveis destinados à moradia, o que, por sua vez, provoca a elevação dos preços.
Ainda que a Zona Sul permaneça como a região mais cara do Rio, com bairros como Leblon e Ipanema liderando o preço por metro quadrado, o fenômeno já se disseminou por áreas como Barra e Recreio. O economista Tiago Velloso observa que a pressão sobre os preços não é mais uma característica exclusiva da Zona Sul, mas se espalhou por diversos bairros. “O impacto é abrangente, refletindo uma mudança na dinâmica do mercado imobiliário da cidade”, afirma.
Consequências das Locação por Temporada
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Além dos preços elevados, o crescimento das locações por temporada traz consigo desafios adicionais. Dayene Lopes menciona conflitos frequentes, como a constante movimentação de hóspedes, que resulta em barulho e insegurança em edifícios residenciais. O engenheiro civil Hélio Galvão Júnior, que aluga seu imóvel em Ipanema, relata experiências complicadas com inquilinos. “Apesar de não ter problemas com a plataforma, já enfrentei situações difíceis com os hóspedes, como danos à propriedade e descumprimento de regras”, compartilha.
Ele explica que, embora a renda em Ipanema seja elevada, os períodos de alta demanda, como Carnaval e feriados, são essenciais para garantir uma receita superior à de contratos de longo prazo. Hélio observa que o perfil dos locatários geralmente inclui grupos de amigos que buscam as conveniências da localização e da infraestrutura da Zona Sul.
Desafios do Aluguel Tradicional
Por outro lado, o servidor público Oyhama Hora, que aluga um imóvel no Centro do Rio, vê mais vantagens no aluguel tradicional. “Nos últimos anos, a oferta de apartamentos para temporada aumentou consideravelmente, prejudicando a demanda”, explica. Segundo ele, a renda obtida muitas vezes é utilizada apenas para cobrir as despesas do imóvel, já que os custos de manutenção e limpeza também são significativos.
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Oyhama ressalta que o custo com serviços de limpeza e manutenção pode impactar substancialmente o orçamento, principalmente em situações de reparos que exigem mão de obra especializada. Esses fatores, aliados às altas taxas cobradas pelas plataformas de locação, tornam o aluguel por temporada um desafio financeiro, mesmo para aqueles que ainda conseguem boas reservas.
A Questão da regulamentação
A regulamentação sobre os aluguéis por temporada é um tema debatido no cenário carioca. Gabriel Sarmento, economista, explica que a aprovação de normas que regulem essa prática depende do estatuto de cada condomínio. “Se a convenção não proíbe explicitamente, o condomínio não pode restringir as locações”, explica. Para a advogada Dayene Lopes, a regulamentação em nível municipal é crucial. “O Projeto de Lei nº 372/2025, proposto pelo vereador Salvino Oliveira, visa criar um cadastro para anfitriões e assegurar a responsabilidade das plataformas sobre as obrigações legais e tributárias”, destaca.
O vereador Oliveira aborda a importância de um planejamento estruturado diante do crescente fenômeno das locações temporárias e seus impactos na segurança pública e na economia local. Ele ressalta que o aumento dos preços na Zona Sul é um reflexo direto da atividade turística impulsionada por plataformas como Airbnb.
Impacto Econômico e Propostas de Legislação
De acordo com um estudo da Fundação Getulio Vargas, as locações pelo Airbnb têm movimentado bilhões na economia carioca, sustentando milhares de empregos. A plataforma afirma que sua presença contribui significativamente para o PIB municipal. Contudo, especialistas alertam que a mera regulamentação pode não ser suficiente para resolver os problemas crescentes. Como observado em cidades como Nova York e Barcelona, a regulação pode reduzir a oferta de locações temporárias, mas também provocar aumento nos preços dos hotéis e impactar a renda de pequenos proprietários.
A resistência em regulamentar a atividade é compreensível, uma vez que muitos anfitriões, principalmente aposentados e mulheres, dependem dessa prática para complementar sua renda. O Airbnb argumenta que a proibição de locações por temporada afetaria negativamente esses indivíduos. As discussões sobre a regulamentação continuam, com a expectativa de que as decisões tomadas levem em conta tanto os benefícios econômicos quanto as necessidades da população local.

