Debate sobre integração do transporte público na Região Metropolitana de São Paulo
A Assembleia Legislativa do Estado de São Paulo (Alesp) sediou, na última sexta-feira (29), um seminário voltado à discussão de propostas para ampliar a integração do transporte coletivo na Região Metropolitana de São Paulo, composta por 39 municípios. O evento, organizado pelo deputado Maurici (PT), reuniu especialistas, representantes políticos e membros da sociedade civil para analisar alternativas que facilitem a mobilidade entre cidades e modos de transporte, como ônibus municipais, ônibus metropolitanos, trens e metrô.
Desafios atuais e necessidade de integração tarifária
Durante o seminário, Maurici ressaltou que o transporte na região precisa ser pensado de forma conjunta, com sistemas integrados que possibilitem a adoção de uma tarifa única. “Hoje, há a necessidade do pagamento de tarifas muito elevadas quando ocorre o uso de diferentes modais, como ônibus e metrô ou trens e ônibus”, afirmou o parlamentar. Ele alertou para a dificuldade enfrentada pelos moradores das cidades metropolitanas que precisam se deslocar entre municípios, muitas vezes pagando uma passagem separada para cada trecho da viagem.
O deputado destacou que essa fragmentação acaba gerando longas caminhadas involuntárias, na tentativa de evitar a utilização de múltiplos modais ou ônibus de diferentes cidades, o que prejudica o deslocamento diário da população.
Impactos na qualidade de vida e eficiência do transporte
Para Maurici, a integração do sistema de transporte está diretamente ligada à qualidade de vida dos trabalhadores da região. Ele defendeu a criação de um sistema metropolitano único, capaz de oferecer deslocamentos mais rápidos, acessíveis e eficientes. “O objetivo é integrar todos esses modais para que você tenha um único sistema metropolitano, que torne o transporte mais barato. Com um único bilhete, a pessoa poderia ir e voltar durante o dia, seja para o trabalho, para a escola, para espaços de lazer ou de convivência”, explicou.
Leia também: Guia Completo do Global Citizen Live no Rio: Transporte, Acesso e Serviços para Você
Leia também: Niterói Inicia Semana do Meio Ambiente 2026 com Ações Sustentáveis e Engajamento Comunitário
Além disso, o deputado relacionou a melhoria do transporte coletivo à redução de acidentes, poluição e custos de manutenção do sistema viário. “Quando falamos em diminuir o tempo de deslocamento e não encarecer a tarifa, estamos falando também em melhorar a qualidade de vida do trabalhador”, completou.
Perspectiva das periferias e alternativas de mobilidade
Matheus Oliveira, integrante do mandato coletivo JuntOz em Osasco, ressaltou que a ausência de integração impacta principalmente a população das periferias. Ele destacou que, em muitos bairros, o transporte municipal é insuficiente, o que leva moradores a recorrerem a alternativas mais arriscadas.
“Toda a região metropolitana urge por um sistema integrado de transporte. É muito complicado quando pensamos a partir da perspectiva das periferias, que muitas vezes nem têm acesso adequado ao transporte municipal”, afirmou. Como exemplo, citou o uso crescente de transporte por aplicativo em motocicletas em Osasco. “A população está usando massivamente o Uber Moto, que é um transporte arriscado, com muitos acidentes. Ainda assim, muitas vezes é a única opção viável para quem mora na periferia. Em alguns casos, custa o mesmo valor da tarifa do ônibus, com a diferença de que a pessoa espera 10 minutos, e não uma hora”, completou.
Inovações técnicas para viabilizar a integração
No seminário, Luiz Renato Mattos, cofundador da OnBoard, empresa especializada em bilhetagem para transportes públicos, apresentou soluções técnicas que podem viabilizar a integração entre diferentes sistemas de transporte. Ele destacou o modelo baseado em conta, semelhante ao funcionamento de uma conta bancária, no qual os créditos ficam centralizados em uma conta vinculada ao usuário, em vez de distribuídos em diferentes cartões ou mídias.
Leia também: Mulher Sobrevive a Tentativa de Feminicídio em São Gonçalo; Agressor Morre Após Confronto
Leia também: Evento CAPSi Arte em Belford Roxo destaca expressão artística e saúde mental infantojuvenil
“No modelo baseado em conta, a segurança é maior porque o dinheiro não está distribuído nessas mídias. Ele fica centralizado em uma conta, e o sistema registra apenas as utilizações. Isso traz um ganho incremental muito grande e possibilita a integração entre os entes”, explicou.
Marco legal e consórcios metropolitanos
O especialista em mobilidade Rafael Calabria também participou do debate e abordou o marco legal do transporte público coletivo. Segundo ele, a proposta pretende reorganizar a forma como o transporte coletivo é administrado no Brasil, definindo atribuições para municípios, estados e União.
Calabria ressaltou que um dos pontos centrais do marco é incentivar a formação de consórcios regionais ou metropolitanos para facilitar a circulação entre diferentes cidades. “O marco orienta que as cidades se juntem em consórcios regionais ou metropolitanos para que a população consiga circular entre os municípios com um sistema integrado, tarifa unificada e caminhando para a tarifa zero”, destacou.

