Projeto da Linha 3 do Metrô em Niterói e sua abrangência
O estudo Planos de Transportes Urbanos Sustentáveis e de Desenvolvimento Integrado (Prisma), conduzido pela Coppe/UFRJ, apresenta um panorama detalhado da futura Linha 3 do metrô, que prevê oito estações em Niterói. Essa linha visa conectar a Zona Sul e a Região Norte da cidade a São Gonçalo, Itaboraí e ao Rio de Janeiro, partindo da estação Carioca, no Centro do Rio, passando pelo Aeroporto Santos Dumont e cruzando a Baía de Guanabara por uma travessia subaquática.
Debate sobre o traçado gera discordância local
No trecho de Niterói, as estações projetadas incluem Gragoatá (UFF), Praça do Rink, Icaraí, Santa Rosa, Noronha Torrezão, Alameda São Boaventura (Fonseca), Colégio Pedro II e Barreto, antes de seguir para São Gonçalo e Itaboraí. O trajeto completo, com cerca de 50 quilômetros e 29 estações, abrange três cidades do Leste Fluminense. No entanto, a Secretaria Municipal de Mobilidade e Infraestrutura de Niterói manifestou críticas ao traçado, apontando que a linha passaria por Icaraí antes do Centro, o que, segundo a pasta, não seria o ideal para o atendimento da cidade. A secretaria destacou, ainda, que o estudo está em fase inicial e que não houve consulta oficial sobre as estações previstas.
Justificativas técnicas e resposta da coordenação do estudo
O coordenador do estudo, professor Romulo Orrico, respondeu às críticas afirmando que o fluxo pendular entre municípios é uma realidade, com muitos trabalhadores de Niterói vindo das cidades vizinhas. Ele explicou que a análise considera o trajeto de ida e volta, e que Niterói possui um planejamento urbano que contempla a futura integração do VLT com o metrô, especialmente para quem deseja acessar o Centro de Niterói sem passar por Icaraí antes. Orrico também justificou que o traçado foi definido para minimizar os custos da travessia subaquática, ressaltando que a distância entre o Aeroporto Santos Dumont e Niterói é das menores na Baía de Guanabara, tornando a opção economicamente viável.
Estações estratégicas e benefícios para a mobilidade local
A primeira estação em Niterói, Gragoatá, atende ao campus da Universidade Federal Fluminense (UFF), um dos maiores polos universitários do estado, com cerca de 30 mil alunos. A linha segue para a Praça do Rink, no Centro, próxima à estação das barcas e ao terminal rodoviário, fortalecendo a integração entre diferentes modais de transporte. A estação de Icaraí, bairro com maior população e importante centro comercial, é considerada estratégica devido ao grande fluxo diário de deslocamentos para o Rio de Janeiro. Atualmente, a viagem entre Icaraí e o Aeroporto Santos Dumont dura cerca de 75 minutos de carro; com o metrô, esse trajeto seria reduzido para aproximadamente 11 minutos.
Continuidade do percurso e impacto para moradores
Após Icaraí, o metrô segue para as estações Santa Rosa e Noronha Torrezão, áreas densamente povoadas com corredores importantes de ônibus. Essas estações aproximam os moradores da Zona Sul e parte da Zona Norte a um sistema de transporte de alta capacidade, diminuindo a dependência dos ônibus. O trajeto contempla ainda a Alameda São Boaventura, principal eixo viário do bairro Fonseca, reforçando seu papel como porta de entrada para quem vem de São Gonçalo, Itaboraí e Maricá. Por fim, o percurso atende as regiões do Colégio Pedro II e Barreto, ambas localizadas no mesmo bairro.
Reação do comércio local e expectativas da comunidade
O comércio do Centro de Niterói recebeu a proposta com otimismo. Empresários veem na estação Praça do Rink uma chance de aumentar o fluxo de pessoas e impulsionar a revitalização da região. Luiz Vieira, presidente da CDL Niterói, destacou que o projeto pode retomar a dinâmica comercial que a área teve no passado, quando funcionava como terminal de ônibus. Moradores, como Leonardo Lusitano, professor da rede municipal de Itaboraí, acompanham o estudo com esperança, apesar da demora histórica na implantação da Linha 3. Para ele, a nova linha significaria uma mudança importante na mobilidade da Região Leste Metropolitana, que hoje depende muito do transporte rodoviário.
Metodologia e desenvolvimento técnico do estudo
A seleção das estações foi realizada a partir da análise de oito projetos anteriores de metrô, datados entre 1968 e 2017. A equipe da Coppe desenvolveu uma metodologia própria que considerou 12 variáveis, incluindo densidade populacional, geração de empregos, matrículas escolares, vulnerabilidade social e potencial de desenvolvimento urbano. O estudo, solicitado pelo governo federal, foi lançado em junho de 2025, com prazo de 30 meses para conclusão e custo estimado em R$ 26 milhões. O objetivo é fornecer uma base técnica para decisões sobre o traçado, a viabilidade econômica e os impactos sociais da Linha 3. O desenvolvimento está a cargo dos laboratórios Rede de Estudos em Engenharia e Socioeconômicos de Transportes (Reset) e Laboratório de Otimização e Sistemas de Informações Geográficas (OPTGIS), ambos vinculados à Coppe/UFRJ.

