Malafaia e a Controvérsia no STF
Na semana passada, o pastor Silas Malafaia foi formalmente declarado réu pela Primeira Turma do Supremo Tribunal Federal (STF). A decisão se deu em função de declarações feitas por Malafaia contra generais do Exército durante uma manifestação realizada em São Paulo. Agora, ele enfrentará um processo penal na Corte. Em entrevistas ao programa Sem Rodeios e à coluna Entrelinhas, Malafaia relembrou que, há aproximadamente cinco anos, vem denunciando o que considera “crimes e absurdos” cometidos pelo ministro Alexandre de Moraes.
“São mais de cinquenta vídeos e manifestações que comandamos. Não são denúncias vazias. É preciso provar quando se menciona alguém em uma acusação. Uma das questões que mais abordei nesses anos é sobre o inquérito ilegal e imoral das fake news”, afirmou Malafaia. Ele classifica esse inquérito como problemático por não contar com a participação do Ministério Público, conforme determina a Constituição. “Ele foi aberto para proteger ministros de acusações de corrupção naquela época”, destacou.
Liberdade de Expressão ou Crime de Opinião?
O pastor alega que, a partir desse inquérito, Moraes tem transformado a liberdade de expressão em crime de opinião, visando perseguir opositores. “O ministro esperava uma oportunidade para criminalizar meu discurso. Mesmo sem individualizar uma possível vítima, acabei na lista de réus por chamar generais de “cambada de frouxos, covardes e omissos””, enfatizou. Para respaldar sua posição, ele mencionou a defesa do renomado jurista Ives Gandra, que argumentou que Malafaia deveria ser protegido pela liberdade de expressão.
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Malafaia e Flávio Bolsonaro: Uma Parceria Controversial
Além de ser réu, Malafaia agora enfrenta investigações do Ministério Público Eleitoral, junto ao senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ). Isso ocorreu após um culto realizado na Assembleia de Deus Vitória em Cristo (ADVEC) no último domingo, onde o pastor, segundo denúncias, teria praticado propaganda eleitoral antecipada. A Associação Movimento Brasil Laico protocolou uma representação junto à Procuradoria Regional Eleitoral do Rio de Janeiro, acusando Malafaia e Flávio de promoverem a campanha de uma forma irregular.
“Esses grupos parecem mais preocupados em chamar atenção do que em respaldar uma causa. Tenho o direito de orar por quem eu quiser durante o culto. Não entreguei o microfone a nenhum político presente, nem declarei apoio a qualquer candidatura”, argumentou Malafaia.
Uma Relação Próxima com a Famíia Bolsonaro
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O pastor ainda ressaltou que sua relação com a família Bolsonaro é histórica, afirmando que Flávio Bolsonaro é o filho com quem tem mais proximidade. Malafaia compartilhou sua opinião sobre a melhor chapa para concorrer contra Lula, sugerindo Tarcísio de Freitas (Republicanos-SP) e Michelle Bolsonaro (PL-DF) como os nomes ideais. “Não faço política baixa. Não suporto radicalismos, sejam eles da esquerda ou da direita”, destacou o pastor, acrescentando que o extremismo político cega as pessoas e que não se sente obrigado a “dizer amém” a ninguém.
Ele explicou que preferiria a chapa proposta, considerando Tarcísio um “grandioso governador” e Michelle uma “mulher evangélica, de direita, filha de nordestinos e esposa de Bolsonaro”. Contudo, Malafaia manifestou a necessidade de que diversos nomes da direita se coloquem para a disputa em 2026, afirmando que “no segundo turno, estaremos todos juntos” e elogiando a perspicácia política de Flávio.
Reprovação de Jorge Messias e Ações nos Bastidores
Na entrevista, o pastor também se posicionou sobre a reprovação do indicado de Lula ao STF, Jorge Messias. Segundo ele, houve uma manobra estratégica para enfraquecer a indicação, temendo um fortalecimento do ministro André Mendonça, alinhado a setores evangélicos e a Jair Bolsonaro. Malafaia mencionou que figuras influentes atuaram nos bastidores, citando Alexandre de Moraes como parte desse jogo político.
Malafaia também fez questão de elogiar a atuação do senador Davi Alcolumbre (União-AP), a quem considerou um político experiente, capaz de articular decisões estratégicas. Para ele, essas movimentações demonstram como a política pode influenciar processos que deveriam seguir regras mais objetivas.
Postura Política e Cordialidade
Por fim, ao ser questionado sobre a atitude do líder do PL na Câmara, Sóstenes Cavalcante (PL-RJ), que foi visto abraçando Jorge Messias antes da sabatina, Malafaia expressou sua discordância. Ele acredita que a cordialidade é importante, mas que Sóstenes, como líder partidário, deveria ter adotado uma postura mais firme e institucional. “Eu disse a ele: você é o líder do partido. Ser educado é uma coisa, mas nesse momento, você deve manter uma posição clara”, concluiu.

