Velório e despedida
O corpo do ator Epaminondas Xavier Gracindo, conhecido como Gracindo Júnior, será velado no dia 3, a partir das 12h10, no Crematório e Cemitério da Penitência. A cremação está programada para acontecer às 14h10 do mesmo dia.
Início da carreira e multifacetado talento
Gracindo Júnior iniciou sua caminhada artística ainda na adolescência, estreando no rádio aos 15 anos. Em 1959, fez teste na Rádio Nacional, onde trabalhou como ator, redator e disc-jóquei, mostrando versatilidade desde cedo. Filho do renomado ator Paulo Gracindo, ele chegou a cursar psicologia, mas escolheu dedicar-se integralmente às artes, expandindo sua atuação para o teatro, televisão e cinema, além de assumir funções de direção e supervisão dramatúrgica.
Atuação durante a ditadura e passagem pela Globo
Militante do Partido Comunista, Gracindo Júnior enfrentou a cassação imposta pela ditadura militar em 1964, que o impediu de trabalhar no rádio. Apesar do período difícil, já havia acumulado experiência em emissoras como TV Rio, TV Excelsior e TV Tupi. Em dezembro de 1964, antes mesmo da estreia oficial da TV Globo, foi contratado para integrar seu elenco inicial. Participou de novelas que marcaram a primeira fase da emissora, como “Rosinha do Sobrado” (1965), “Padre Tião” (1966), “A Rainha Louca” (1967) e “Os Ossos do Barão” (1973). Também atuou em produções emblemáticas como “O Bem-Amado” (1973) e “Supermanoela” (1974).
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O papel que marcou sua carreira e reconhecimento no teatro
Em 1976, Gracindo Júnior conquistou destaque ao interpretar o pintor João Maciel na novela “O Casarão”, trama que percorreu três períodos históricos diferentes. Nesse projeto, contracenou com seu pai, representando diferentes fases do mesmo personagem. No mesmo ano, enveredou pela direção teatral com a peça “A Longa Noite de Cristal”. Ainda nesse período, dirigiu a montagem portuguesa da peça “É”, de Millôr Fernandes, que ficou em cartaz por quatro meses.
Supervisão, direções e retorno às telas
De volta ao Brasil, em 1978, Gracindo Júnior assumiu a supervisão do núcleo de novelas das 18h da Globo, iniciando com o acompanhamento de “A Sucessora”, de Manoel Carlos. Na sequência, dirigiu diversas novelas e programas, incluindo “Memórias de Amor”, “Marron-Glacé” e, em 1983, “Os Trapalhões”. Também participou como diretor e apresentador dos primeiros clipes musicais exibidos no programa “Fantástico”.
Homenagens e trabalho com o pai
Em 1980, escreveu e encenou a peça “Paulo Gracindo, Meu Pai”, celebrando os 50 anos de carreira do pai. Ainda dirigiu as últimas peças em que Paulo Gracindo atuou, “Num Lago Dourado” (1991) e “A História é uma História” (1993), reforçando o vínculo artístico e familiar.
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TV Manchete e retorno à Globo
Na TV Manchete, em 1984, interpretou Dom Pedro 1º na novela “A Marquesa de Santos”. Posteriormente, participou de “Dona Beija”, “Tudo ou Nada” e outras produções, retornando à Globo para atuar em minisséries e novelas durante as décadas seguintes, como “Tenda dos Milagres” (1985), “Mandala” (1987) e “Celebridade” (2003). Seu personagem Ubaldo Quintela, em “Celebridade”, ficou marcado pelo passado de 15 anos preso.
Atuação na Record e dedicação ao teatro
A partir de 2006, Gracindo Júnior integrou o elenco de produções da Record, como “Cidadão Brasileiro”, “Poder Paralelo” (2009) e a minissérie “Rei Davi” (2012). Paralelamente, manteve intensa atividade no teatro, participando de mais de 20 peças como ator, produtor ou diretor, consolidando sua presença e influência no cenário cultural brasileiro.

