Abertura Parcial do Museu da Imagem e do Som
Após quase 20 anos de obras e expectativas, o Museu da Imagem e do Som (MIS) do Rio de Janeiro reabriu suas portas ao público, encantando visitantes no icônico prédio da Avenida Atlântica, em Copacabana. A primeira exibição da reabertura, denominada “Arquitetura em Cena – o MIS Copa antes da Imagem e do Som”, oferece uma visão dos bastidores da construção do novo museu e antecipa a rica experiência cultural que será proporcionada quando o complexo estiver totalmente finalizado, previsto para o primeiro trimestre do próximo ano.
Localizado à beira-mar, o novo MIS teve seu projeto iniciado em 2008, fruto de um concurso internacional de arquitetura promovido pela Fundação Roberto Marinho, em colaboração com a Secretaria de Cultura do estado. O projeto foi desenvolvido pelo renomado escritório americano Diller Scofidio + Renfro, que destaca a integração do edifício com a paisagem carioca e seu diálogo visual com o famoso calçadão de Burle Marx.
Larissa Graça, gerente de patrimônio e cultura da Fundação Roberto Marinho e curadora da mostra, ressalta: “Quem passa por aqui, ninguém fica indiferente. Algumas pessoas acham o prédio lindo, enquanto outras demonstram certo estranhamento. Com essa Exposição, mostramos ao público que podem explorar o prédio e conhecer um pouco da arquitetura do térreo e do mezanino”.
Um “Boulevard Vertical”
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O conceito do novo edifício nasceu da intenção de transformar o famoso calçadão de Copacabana em um “boulevard vertical”. “O escritório vencedor reconheceu a importância da rua para os cariocas. Eles propuseram a verticalização da calçada, criando uma escada que se transforma em um grande mirante da praia mais famosa do mundo. É um projeto muito democrático”, comentou Larissa Graça.
A exposição ocupa o térreo e o mezanino do museu, exibindo maquetes, vídeos, croquis, protótipos e registros da obra. O percurso disponibiliza uma visão abrangente desde a concepção arquitetônica até os desafios enfrentados durante a construção, incluindo a execução de um auditório subterrâneo com capacidade para 280 pessoas, localizado a cerca de 10 metros de profundidade, próximo ao mar.
Além disso, a mostra relembra os percalços enfrentados ao longo da execução do projeto. As obras foram divididas em três etapas: a primeira incluiu a demolição do antigo prédio da Boate Help, em 2010; a segunda fase abrangeu as fundações e a estrutura de concreto, finalizadas em 2014; e a terceira, responsável pelas instalações e acabamentos, sofreu interrupções em 2016, durante a crise fiscal do Rio de Janeiro, retomando gradualmente nos últimos anos.
Reflexo da História do Rio de Janeiro
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Larissa comentou que a construção do MIS reflete a trajetória do Rio de Janeiro nos últimos anos, com as diferentes dificuldades enfrentadas, inclusive após a pandemia. O financiamento da obra é uma junção de recursos públicos e privados. “Quase metade dos investimentos necessários para a construção do museu vem de parcerias. O governo financia uma parte da obra e também parte da museografia, e temos uma parceria significativa com o Ministério da Cultura, por meio da Lei Rouanet, onde parceiros privados aportam recursos ao museu”, explica a curadora.
A secretária estadual de Cultura e Economia Criativa, Danielle Barros, destacou a importância da abertura da exposição, considerando-a um importante marco para a revitalização do espaço cultural. “É uma enorme alegria. Estamos aqui celebrando a inauguração de uma exposição que narra a história da escolha do concurso que definiu a arquitetura deste prédio até o momento em que inauguramos uma primeira exposição que celebra todo esse legado”, destacou.
O MIS contará com um acervo que abriga mais de 1 milhão de itens, incluindo coleções ligadas ao fotógrafo Augusto Malta, à cantora Carmen Miranda e ao músico Pixinguinha. “É um museu de forte brasilidade, repleto de imagens e legados”, sintetizou Danielle.
O projeto prevê não apenas áreas expositivas, mas também um restaurante panorâmico, café, loja, espaços educativos, áreas de pesquisa, um cinema ao ar livre no terraço e ambientes imersivos dedicados à música, fotografia e Cultura Carioca. Entre os primeiros visitantes da exposição, estava a professora de arte Marta Azambuja, de 93 anos, natural do Rio Grande do Sul e residente em Copacabana. “Eu não via a hora de ser inaugurado e estou muito feliz”, compartilhou ela.
Ela enfatizou que nunca havia visto um museu tão integrado à paisagem. “Viajei muito pelo mundo e nunca encontrei um museu tão diferente como este, que se liga à natureza”, comentou Marta.
A Experiência do Futuro
A exposição também antecipa o futuro percurso museográfico do MIS, que terá experiências voltadas ao espírito carioca, à música brasileira, à trajetória de Carmen Miranda, à relação do Rio com o mar e à vida noturna da cidade. No subsolo, haverá um espaço dedicado às “Noites Cariocas” e à história do funk, enquanto o terraço funcionará como mirante e cinema a céu aberto.
Larissa Graça expressou que acompanhar o projeto desde o concurso internacional até a fase atual se tornou uma experiência significativa. “Para mim, é uma missão de vida entregar esse museu para a população. Eu estava grávida quando fiz o concurso de arquitetura. Minha filha hoje tem 16 anos. A história do MIS também se entrelaça com a minha trajetória de maternidade”, compartilhou, emocionada.

