Onda de calor avança pelo leste europeu com temperaturas recordes
A Europa enfrenta uma nova onda de calor intensa que se desloca para o leste do continente, afetando países como Alemanha, Polônia, República Tcheca, Hungria e Dinamarca. No domingo (28), cerca de 191 milhões de pessoas devem sofrer com temperaturas superiores a 35ºC, segundo dados da AFP. Enquanto alguns países, como a França, começam a registrar queda nas temperaturas, outros, especialmente na Europa Central e Oriental, enfrentam termômetros batendo recordes históricos.
Na Alemanha, a temperatura atingiu impressionantes 41,5ºC, e, durante a noite de sábado para domingo, a cidade de Kubschütz registrou um recorde de temperatura mínima noturna de 29,4ºC. Em Berlim, medidas práticas foram adotadas para amenizar o calor: a polícia usou canhões de água para refrescar moradores, e eventos esportivos como a meia-maratona de Hamburgo foram cancelados ou reduzidos. Até a tradicional Filarmônica de Berlim flexibilizou o código de vestimenta, permitindo que os músicos tirem os paletós e arregaçem as mangas diante do calor extremo.
Medidas emergenciais e impactos na saúde pública
Na Hungria, o impacto da onda de calor levou o exército a distribuir milhares de garrafas de água em eventos públicos, especialmente em cidades menores. A Romênia se prepara para emitir alertas vermelhos em quase todo o país, prevendo “temperaturas extremas” e “noites tropicais” até o início de julho. Já na Moldávia, a circulação de veículos pesados será proibida durante os horários de pico para preservar as condições das estradas e evitar maiores danos causados pelo calor.
Essas condições extremas não só trazem desconforto, mas também riscos para a saúde, especialmente entre idosos. Na França, onde o calor já dura 11 dias, o excesso de mortalidade ultrapassou mil mortes desde 24 de junho, principalmente entre pessoas com mais de 65 anos. Além disso, houve um aumento de 40% nas mortes ocorridas em domicílios, indicando que muitos pacientes podem estar sofrendo em isolamento.
Leia também: Rio de Janeiro Registra Novo Recorde de Calor: 40,8°C por Três Dias Seguidos
Leia também: Governo do RJ Intensifica Medidas Contra Onda de Calor com Ações Coordenadas
Resposta da União Europeia e desafios na gestão da crise
A resposta da União Europeia tem sido discreta, delegando a cada Estado-membro a responsabilidade pela gestão imediata das ondas de calor e seus impactos na saúde pública. O comissário europeu para a Ação Climática, Wopke Hoekstra, mencionou a necessidade de fortalecer a resiliência climática do continente, mas sem medidas emergenciais concretas até o momento.
Enquanto isso, entidades como o Partido Verde Europeu cobram a realização de uma cúpula para reforçar as políticas de proteção climática. A Comissão Europeia prometeu apresentar ainda este ano uma nova estrutura com regras e ferramentas para ajudar os países a se prepararem para eventos climáticos extremos, mas até lá, a prioridade é o enfrentamento local dessas crises.
Ondas de calor e mudanças climáticas: alerta da ciência
Especialistas relacionam a frequência e intensidade das ondas de calor às mudanças climáticas causadas principalmente pela queima de combustíveis fósseis. Além disso, uma “bolha fria” no Atlântico, caracterizada por águas anormalmente frias ao sul da Islândia e Groenlândia, contribui para modificar a circulação atmosférica, favorecendo a estagnação de altas pressões sobre a Europa e intensificando os episódios de calor extremo.
Leia também: Europa Aquece 2x Mais Rápido que Outros Continentes, Revela Copernicus
Fonte: londrinagora.com.br
Leia também: Onda de Calor Recorde Avança para o Leste Europeu e Atinge a Hungria com Temperaturas Extremos
Fonte: triangulodeminas.com.br
A física e professora da Universidade de Bremen, Marilena Oltmanns, destaca que esses fenômenos explicam porque a Europa aquece mais rápido que outras regiões durante o verão. O paleoclimatologista Jean Jouzel, vice-presidente do IPCC, reforça que os eventos atuais são exatamente o que os cientistas previram há décadas, e que a comunidade deve levar a sério esses alertas para evitar consequências ainda mais severas.
Orientações para o público e próximos passos
Diante dessas condições, as recomendações básicas para a população incluem buscar locais frescos, manter a hidratação constante e ficar atento a sinais de exaustão pelo calor, especialmente entre idosos e pessoas com doenças crônicas. As redes de saúde pública precisam se preparar para um aumento da demanda, com atenção especial a atendimentos domiciliares e monitoramento dos grupos mais vulneráveis.
Embora a resposta imediata esteja a cargo dos governos nacionais, a expectativa é que, a médio e longo prazo, haja um fortalecimento das políticas públicas de adaptação às mudanças climáticas e prevenção dos impactos na saúde. A mobilização da sociedade civil e a pressão por ações eficazes serão essenciais para garantir que o sistema esteja pronto para enfrentar os desafios que vêm pela frente.

