Ação integrada contra fraudes no Porto do Rio
A Polícia Federal (PF) contabilizou uma série de apreensões significativas durante a Operação Mare Liberum, realizada no Porto do Rio de Janeiro. Ao todo, foram apreendidos R$ 5 milhões em dinheiro, além de 11 relógios de luxo. Mas não parou por aí! A operação também resultou na confiscacão de 54 telefones celulares e 17 veículos, evidenciando um esquema de corrupção e irregularidades que remonta a anos.
Entre os objetos encontrados, destacam-se ainda 54 garrafas de vinho, cada uma avaliada em cerca de R$ 700, localizadas na residência de um despachante. A operação levou a PF a realizar diversas prisões, incluindo um analista da Receita Federal, detido em flagrante por posse de arma ilegal.
Investigação reveladora
A Operação Mare Liberum foca na investigação de um esquema de propinas que, segundo estimativas, causou um prejuízo de aproximadamente meio bilhão de reais aos cofres públicos, mediante a liberação irregular de contêineres no Porto. Um dos pontos críticos da investigação revela que 17 mil declarações de importação estão “potencialmente contaminadas” por irregularidades, totalizando cerca de R$ 86,6 bilhões em mercadorias entre julho de 2021 e março de 2026.
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As apreensões incluem:
- R$ 1.517.750,00 em reais;
- US$ 467.753,00;
- € 50.265,00;
- £ 140,00;
- 54 celulares;
- 17 veículos;
- 11 relógios de luxo;
- 17 passaportes;
- 1 revólver;
- 10 munições de calibre .38.
O dinheiro foi encontrado em endereços variados, incluindo Copacabana, Lagoa, Barra da Tijuca e Niterói, na Região Metropolitana. Especialistas da PF indicam que a ação expõe um grande esquema de corrupção que envolve auditores fiscais e despachantes.
Desdobramentos da operação
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A operação teve início na manhã de terça-feira (28), quando equipes da PF, Receita Federal e do Ministério Público Federal realizaram 45 mandados de busca e apreensão. Os agentes se dirigiram a locais na capital fluminense e também em cidades como Niterói, Nova Friburgo e até mesmo em Vitória (ES). Destaca-se a participação da alfândega do Porto do Rio entre os endereços investigados.
A Justiça determinou o afastamento de 17 auditores fiscais e 8 analistas tributários envolvidos, além do sequestro de até R$ 102 milhões em bens. Nove despachantes estão proibidos de exercer suas atividades no Porto enquanto as investigações continuam.
Um esquema complexo de contrabando
A investigação começou em fevereiro de 2022, após uma denúncia à Corregedoria da Receita. Os dados coletados evidenciam que havia um conluio entre servidores da alfândega, importadores e despachantes, permitindo a facilitação de contrabando e descaminho em troca de propinas. Essa prática gerou a liberação de contêineres sem a devida fiscalização, o que comprometeu a arrecadação tributária.
Os envolvidos estão sendo investigados por crimes como estelionato, associação criminosa, falsidade ideológica, corrupção, descaminho, contrabando e lavagem de dinheiro. Fica claro que a operação não é apenas um reflexo de um delito isolado, mas sim de um sistema vicioso que precisa ser desmantelado.
Posicionamento da PortosRio
A Autoridade Portuária do Rio de Janeiro, conhecida como PortosRio, se manifestou a respeito da operação, esclarecendo que não está sendo alvo da investigação. Em nota, a companhia afirmou que a ação ocorre em áreas sob a responsabilidade de órgãos federais e que colabora com as autoridades competentes. Segundo a PortosRio, o foco da apuração diz respeito exclusivamente a procedimentos de fiscalização aduaneira.
A Guarda Portuária está dando suporte nas ações, garantindo a segurança e a ordem no ambiente portuário durante a operação.

