A Importância da Saúde Mental no Esporte
No dia 14 de fevereiro, o início da temporada do futebol brasileiro marcou um momento significativo para muitos atletas, especialmente para o meia Philippe Coutinho. Em um jogo desafiador, o Vasco perdeu por 1 a 0 para o Volta Redonda no Campeonato Carioca. Durante a partida, a substituição de Coutinho por Rojas gerou uma reação negativa da torcida, que vaiou o jogador pela primeira vez em sua carreira. Apenas quatro dias após esse episódio, o atleta de 33 anos anunciou sua saída do clube nas redes sociais, citando um cansaço mental como motivação para a decisão.
Coutinho, em seu comunicado, refletiu sobre o momento: “Na ida para o vestiário, percebi que meu ciclo no clube tinha acabado. Eu não voltei para o banco para priorizar minha saúde mental.” O planejamento para a renovação de seu contrato nunca se concretizou, e o jogador decidiu deixar o Vasco sem compreender totalmente as consequências desse período turbulento.
Esse fato é apenas mais um exemplo de como diversos atletas estão se atentando para a saúde mental, antecipando pausas em suas carreiras para evitar colapsos emocionais. Nos últimos anos, figuras como a tenista Naomi Osaka, a ginasta Simone Biles, e o técnico Tite também tomaram a decisão de se afastar, mesmo em momentos cruciais de suas trajetórias.
Dados Alarmantes sobre Saúde Mental no Brasil
No Brasil, o cenário é preocupante. De acordo com o Ministério da Previdência Social, em 2024, mais de 546 mil pedidos de afastamento do trabalho foram registrados por questões relacionadas à saúde mental, marcando um aumento de 15% em comparação ao ano anterior. Essa realidade reflete a pressão intensa que os atletas enfrentam em suas carreiras, um terreno fértil para o surgimento de problemas emocionais, como aponta Raphael Zaremba, especialista em Psicologia do Esporte da PUC-Rio.
Segundo Zaremba, “O esporte tem uma dimensão única, especialmente com o crescimento das redes sociais. As opiniões e críticas se espalham rapidamente, intensificando a pressão que os atletas já sentem.” A visibilidade proporcionada pelas plataformas sociais amplifica a vulnerabilidade emocional dos esportistas, que enfrentam críticas e expectativas muitas vezes desmedidas.
Reflexões de Tati Weston-Webb
Um exemplo de autocuidado no esporte é a surfista Tati Weston-Webb. Após conquistar uma medalha de prata nos Jogos de Paris em 2024, a atleta percebeu, através de acompanhamento psicológico, sinais de desgaste emocional. Em março do ano passado, decidiu fazer uma pausa na carreira.
“Aprendemos a ser fortes o tempo todo no alto rendimento, mas força também é saber quando parar,” reflete Tati. A decisão de pausar foi tomada em conjunto com sua equipe, especialmente com sua psicóloga. “Eu precisava me reconectar comigo e cuidar da minha saúde mental antes que o desgaste se intensificasse,” completa.
Com 29 anos, Tati também se tornou mãe de Bia Rose durante sua pausa, e ressalta que essa experiência trouxe uma nova perspectiva sobre equilíbrio e prioridade em sua vida. “Cuidar da mente é tão importante quanto treinar o corpo,” afirma.
A Importância do Cuidado Contínuo
Naturalizar o debate sobre saúde mental no esporte é um passo fundamental. O caso de Simone Biles, que enfrentou bloqueios emocionais e se afastou de competições durante os Jogos de Tóquio em 2021, destaca a necessidade de cuidar da saúde mental desde cedo. Biles deu a volta por cima e conquistou quatro medalhas nos Jogos de Paris, mas sua jornada evidencia a importância de um suporte sólido para os atletas.
Zaremba enfatiza que se os atletas não forem preparados desde jovens para lidar não apenas com adversidades esportivas, mas também com fatores externos como a fama e as redes sociais, eles podem sucumbir sob pressão. “O cuidado com a saúde mental deve ser uma constante ao longo da carreira do atleta,” conclui.

