Investigação Revela Fundo Familiar
Um dos quatro jovens foragidos, suspeitos de serem parte de um estupro coletivo de uma adolescente de 17 anos em Copacabana, é filho de um subsecretário do governo do estado. Vitor Hugo Simonin, filho de José Carlos Simonin, que ocupa o cargo de subsecretário de Governança, Compliance e Gestão da Secretaria de Desenvolvimento Social e Direitos Humanos, teve seu parentesco confirmado pelo governo.
O caso, que ganhou novos contornos nesta semana, resultou na negativa de habeas corpus para três dos quatro investigados, conforme decisão do desembargador Luiz Noronha Dantas, da 6ª Câmara Criminal do Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro (TJRJ). Até agora, todos os quatro envolvidos, que são maiores de idade, permanecem foragidos.
A lista dos procurados inclui João Gabriel Xavier Bertho, Felipe Allegretti e Mattheus Verissimo Martins, cujas idades variam entre 18 e 19 anos. Além deles, um quinto envolvido, que é menor, está sendo buscado pela polícia. Segundo o delegado Angelo Lages, que conduz as investigações, o adolescente que é procurado conhecia a vítima e teria sido o responsável por levar a jovem até o local do crime, que foi descrito como uma verdadeira “emboscada”. O delegado ainda declarou que o cenário encontrado era uma “cena de horror”.
Contexto do Crime
O estupro coletivo teria ocorrido na noite de 31 de janeiro, em um apartamento em Copacabana, na Zona Sul do Rio, pertencente a um familiar de um dos acusados. Os mandados de prisão foram expedidos na última sexta-feira e, caso sejam condenados, os suspeitos podem enfrentar penas de até 20 anos de reclusão.
A confirmação do parentesco entre um dos investigados e um membro do governo gerou desdobramentos na opinião pública. A secretária da Mulher, Rosangela Gomes, expressou indignação nas redes sociais e afirmou que o Estado estaria oferecendo apoio jurídico e psicológico à família da vítima. No entanto, esta informação foi contestada pelo advogado da adolescente, que alegou que nenhum representante do governo entrou em contato com a família até o momento e que não houve oferta de assistência. Ele sugeriu que a secretária pode ter sido mal informada por membros de sua equipe.
Ações das Instituições Envolvidas
No âmbito escolar, dois dos investigados eram alunos do Colégio Pedro II. A reitoria da instituição informou que iniciou um processo de desligamento dos alunos e tem prestado apoio à família da vítima. Por sua vez, o Serrano Futebol Clube, de Petrópolis, onde João Gabriel Xavier Bertho atuava como jogador, anunciou o afastamento e a suspensão do contrato com ele.
A defesa de João Gabriel negou a acusação de estupro, ressaltando que ele não possui histórico de violência e que ainda não teve a oportunidade de prestar depoimento à polícia. As defesas dos outros investigados ainda não se manifestaram até o momento da última atualização.
Decisão Judicial e Futuras Implicações
A Justiça do Rio de Janeiro impediu a concessão de habeas corpus a três dos quatro suspeitos. Esta decisão foi emitida pelo desembargador Luiz Noronha Dantas, da 6ª Câmara Criminal do TJRJ. Os nomes dos investigados foram divulgados após o indiciamento pela Polícia Civil. O TJRJ informou que os processos relacionados a estupro e menores de idade tramitam sob segredo de Justiça, o que limita a divulgação de informações.
As repercussões deste caso são amplas e refletem uma preocupação crescente com a segurança das mulheres e a responsabilidade das autoridades em situações tão graves. A sociedade aguarda desdobramentos e ações concretas que venham a garantir não só a justiça para a vítima, mas também o fortalecimento de políticas públicas que combatam a violência de gênero no estado do Rio de Janeiro.

