Novo Levantamento Destaca Avanços e Desafios na Luta Feminista
No mês dedicado às mulheres, a Secretaria de Políticas para Mulheres e Cuidados lançou, nesta terça-feira (3/3), a quinta edição do Mapa da Mulher Carioca. Este estudo aborda uma questão urgente: a luta contra a violência de gênero no Rio de Janeiro e os caminhos de resiliência que muitas mulheres estão trilhando, com foco na educação e autonomia econômica. Em 2024, foram registradas 102.470 notificações de ameaças no município, sendo 67.090 contra mulheres, o que representa 65,5% das vítimas. Além disso, nos casos de lesão corporal, elas também são a maioria: 42.107 vítimas, ou 64,9% dos registros. A violência sexual segue alarmante, com 85,8% das 1.701 notificações de estupro envolvendo mulheres, incluindo mais de mil casos que afetaram crianças e adolescentes.
A letalidade da violência revelou um quadro ainda mais grave. Entre 2020 e 2024, o número de feminicídios aumentou de 18 para 51 casos anuais, um crescimento alarmante de 183,3%. Apenas em 2024, 72,5% das vítimas eram mulheres negras, e 76,5% dos crimes ocorreram dentro de casa. Nos dois terços dos casos, o autor do crime era um companheiro ou ex-companheiro. Os dados de saúde reforçam essa realidade: 78,4% das 27.760 notificações de violência na rede municipal foram contra mulheres.
O levantamento, organizado em 12 capítulos, revela, por exemplo, que as mulheres dedicam 364 horas a mais por ano ao trabalho doméstico do que os homens, além de observar um crescimento de 4,5% nos registros de pais ausentes entre 2020 e 2025. As políticas de geração de renda no município, como o programa Mulheres do Rio e o EmpregaElas, têm como foco prioritário as mulheres negras e as que residem nas zonas Norte e Oeste, regiões onde a vulnerabilidade social é mais acentuada. No dia 7, na Barra Olímpica, ocorrerá a aula inaugural dos cursos do programa Mulheres do Rio.
O conteúdo completo do Mapa da Mulher Carioca está disponível no site da secretaria e traz dados que refletem a realidade vivida por mulheres na cidade.
Sobre o Mapa da Mulher Carioca
Lançado em 2021, o Mapa da Mulher Carioca teve sua primeira edição estruturada com base nos eixos de gênero, raça e território, evidenciando as desigualdades salariais e barreiras de acesso. A edição de 2025 representa um avanço significativo no projeto, expandindo para mais de 300 indicadores organizados em 12 capítulos temáticos. Essa nova estrutura fortalece a relação entre diagnósticos e políticas públicas, tornando a análise mais fundamentada e estratégica. O capítulo Radar de Dados introduz essa organização ao oferecer uma perspectiva multiescalar, abordando desde o contexto internacional até as dinâmicas locais que afetam a vida das mulheres.
O eixo Violências Contra a Mulher é central e abrange o maior volume de variáveis monitoradas. Ele integra dados de sistemas oficiais e políticas municipais, permitindo uma compreensão mais profunda da incidência de violências e da resposta institucional. A edição também aprofunda áreas estruturantes como cuidados, segurança pública, saúde, educação e assistência social, além de ampliar a análise interseccional com recortes sobre mulheres negras, LBT, com deficiência, migrantes, refugiadas e em situação de rua.
Joyce Trindade, secretária de Políticas para Mulheres e Cuidados, afirma que o Mapa representa uma mudança significativa na forma de gerir políticas públicas. “Não é possível enfrentar feminicídio, violência de gênero e desigualdade sem um diagnóstico preciso. O Mapa da Mulher Carioca organiza dados, revela onde estão as fragilidades e orienta cada política da secretaria com base em evidências para salvar vidas de mulheres”, destaca.
Além disso, a edição apresenta um panorama dos principais dados e análises que compõem os capítulos do Mapa da Mulher Carioca 2025. Em 2025, o Brasil registrou 1.470 feminicídios, o maior número histórico, com o estado do Rio de Janeiro ocupando a terceira posição nacional, agora com 104 vítimas. A violência doméstica é alarmante: mais de 23,6 milhões de mulheres brasileiras já enfrentaram esse tipo de violência, sendo mais de 2,5 milhões no estado. Em 71% das agressões presenciadas, crianças testemunharam a violência, ressaltando seu impacto intergeracional.
No município do Rio, as mulheres representam 53,2% da população e cerca de 60% entre os idosos. A desigualdade salarial no mercado de trabalho permanece acentuada, com uma diferença de R$ 762, que representa 54% de um salário mínimo. Essa desigualdade compromete a autonomia econômica e as perspectivas de vida das mulheres.

