Remédios Antiobesidade: Preços Altos e o Papel dos Laboratórios Públicos
A luta contra a obesidade envolve desafios complexos, principalmente quando se trata do custo elevado dos medicamentos. Recentemente, o ministro da Saúde, Alexandre Padilha, destacou a estratégia do governo para enfrentar essa questão, com foco em três eixos principais: a prevenção, a produção nacional e a implementação de medicamentos como a semaglutida no Sistema Único de Saúde (SUS).
A semaglutida, princípio ativo de novas canetas para emagrecimento, está sendo avaliada para inclusão em programas do SUS, especialmente para pacientes com obesidade avançada que enfrentam comorbidades e que, por exemplo, estão na fila para cirurgia bariátrica. “Estamos começando a avaliar um protocolo específico para a semaglutida no Rio Grande do Sul”, afirmou Padilha.
Além dos pacientes bariátricos, o governo também considera aqueles que já estão em acompanhamento clínico e psicológico para a cirurgia, bem como aqueles que sofrem de doenças graves relacionadas à obesidade. Atualmente, nenhuma opção de medicamento para controle de peso está disponível no SUS.
Produção Nacional de Medicamentos e Controle de Peso
Uma das iniciativas em andamento para contornar o problema é promover a produção nacional de medicamentos voltados ao controle de peso. A Anvisa lançou um edital para priorizar o registro de peptídeos sintéticos, com foco na liraglutida e semaglutida, ambos utilizados para controle de peso e diabetes.
Padilha explicou que o Ministério da Saúde está empenhado em garantir que o Brasil tenha domínio sobre a tecnologia de produção desses peptídeos, que são fundamentais para os novos tratamentos. “O acesso a esses medicamentos no sistema público não é viável de forma ampla, pois o excesso de peso se tornou uma norma e o custo é extremamente elevado”, enfatizou o ministro.
Dados recentes revelam que a taxa de obesidade entre os brasileiros adultos aumentou significativamente, passando de 11,8% em 2006 para 25,7% em 2024. A prevalência de sobrepeso também subiu, alcançando 62,6% da população. Esses números alarmantes refletem mudanças nos padrões alimentares, com o aumento do consumo de alimentos ultraprocessados.
Desafios e Soluções na Luta Contra a Obesidade
“Os medicamentos podem desempenhar um papel crucial no combate à obesidade, mas os altos preços são um desafio global. Queremos que laboratórios públicos e empresas nacionais dominem essa tecnologia, não apenas para tratar a obesidade, mas também para enfrentar doenças como o câncer”, disse Padilha. Ele acredita que a crescente concorrência entre as empresas resultará na redução dos preços.
Atualmente, 14 empresas estão com pedidos de autorização em análise pela Anvisa, e três delas firmaram parcerias com empresas indianas para a produção de peptídeos sintéticos. “Estou confiante de que conseguiremos reduzir os preços e tornar esses medicamentos mais acessíveis”, complementou o ministro.
Obesidade: Questão de Saúde Pública e Prevenção
Padilha sublinha que é crucial abordar a obesidade como um problema de saúde pública e não apenas estético. “É imprescindível uma resposta integrada a esse desafio, que se relaciona com doenças cardiovasculares e câncer. O acesso a medicamentos é apenas uma parte da solução”, declarou.
Para o ministro, a prevenção é a chave. O foco deve estar em evitar que as pessoas desenvolvam excesso de peso, e isso requer políticas integradas que vão além do uso de remédios. Em janeiro, o Ministério da Saúde lançou a estratégia “Viva Mais Brasil”, com um investimento de R$ 340 milhões, que prioriza a promoção de hábitos alimentares saudáveis e a prática de atividades físicas por meio da atenção primária à saúde.
Medidas como a taxação de bebidas açucaradas e a redução de impostos sobre alimentos saudáveis são consideradas essenciais. Padilha citou exemplos de cidades que conseguiram diminuir a obesidade infantil ao banir alimentos ultraprocessados das escolas. A estratégia do Ministério da Saúde também inclui repasses financeiros a municípios para a construção de academias vinculadas à atenção primária.

