A Virada do Flamengo
Em uma tarde que refletiu roteiros paralelos, o Flamengo, contando com o apoio — ainda que com ressalvas — de sua torcida, começou a partida contra o Santos de forma conturbada. O time, que foi vaiado ao ir para o intervalo, mostrou força de reação ao vencer por 3 a 1, transformando o Maracanã em um verdadeiro caldeirão de celebração. Essa recuperação é especialmente significativa após a perda por 3 a 0 para o Bragantino na última quarta-feira, quando o time precisou de uma resposta contundente antes de iniciar sua campanha na Libertadores.
A estreia na competição continental, marcada para quarta-feira próxima, traz a expectativa de um desafio ainda maior, já que o Flamengo viajará para enfrentar o time homônimo na altitude de 3.400 metros de Cusco, no Peru. Esse fator, por si só, já apresenta um obstáculo, e a equipe precisava desmentir a má impressão deixada pela atuação anterior.
Pressão e Reação da Torcida
A pressão sobre o Flamengo era palpável antes mesmo do apito inicial. O clima nas arquibancadas, embora amistoso em um típico domingo à tarde, deixou claro o desejo da torcida por um desempenho à altura da camisa rubro-negra. O refrão que ecoou pelas arquibancadas — “para jogar no Mengo tem que ter disposição” — foi um recado claro. O primeiro tempo, no entanto, foi tudo menos satisfatório, intensificando a desconfiança da torcida. Apesar de manter a posse de bola, o Flamengo não conseguiu converter essa vantagem em chances claras de gol. O time parecia se perder ao chegar na área adversária, muitas vezes preenchida por cinco ou seis jogadores, mas sem recursos suficientes para quebrar a defesa santista.
A única jogada que trouxe algum perigo foi pelo lado direito, com Varela, enquanto Samuel Lino deixou a desejar pela esquerda. Os passes vindos de Jorginho e da defesa não foram aproveitados e as vaias ao fim do primeiro tempo refletiam bem a insatisfação crescente.
A Reação no Segundo Tempo
A etapa complementar começou com um inesperado revés logo aos 2 minutos, quando Lautaro Díaz, em um veloz contra-ataque, superou Léo Ortiz e marcou, colocando o Flamengo em uma posição desconfortável. Porém, essa desvantagem se mostrou apenas um pequeno obstáculo. O time voltou dos vestiários com uma nova postura, mostrando maior intensidade e participação dos defensores na criação de jogadas.
O empate parecia uma questão de tempo, e veio aos 18 minutos, quando Pedro, após uma bonita jogada pela direita envolvendo Evertton Araújo e Carrascal, subiu mais alto que a defesa para marcar de cabeça, alcançando seu 161º gol com a camisa do Flamengo e igualando-se a Gabigol como artilheiro do clube no século XXI.
“As coisas sempre aconteceram naturalmente na minha vida e nunca fiquei ansioso. Foquei em dar o meu melhor em cada jogo e hoje consegui fazer mais um. Agora, é continuar trabalhando para evoluir”, afirmou o atacante.
Gabigol, que ainda não havia entrado em campo, foi acionado apenas aos 27 minutos e teve uma participação discreta, sendo até vaiado quando tocou na bola pela primeira vez. No entanto, a virada no placar já havia acontecido. Três minutos após o gol de Pedro, Léo Pereira levantou a bola na área para Arrascaeta, que foi derrubado por Barreal, resultando em um pênalti convertido por Jorginho.
Confirmação da Vitória
As mudanças realizadas pelo técnico contribuíram para um melhor desempenho do Flamengo. As entradas de Bruno Henrique, Paquetá e Plata enriqueceram as trocas de passes próximas à área adversária, proporcionando novas opções de ataque. A conquista da vitória foi selada aos 43 minutos, quando Varela passou para Plata, que, por sua vez, encontrou Paquetá na entrada da área, resultando em um belíssimo gol.
Com esse triunfo, o Flamengo alcançou 17 pontos na tabela, retornando ao G4 e mostrando que possui a capacidade de se reerguer após derrotas significativas, sem deixar que elas impactem o desempenho nas competições.

