Eleição Indireta em Debate
O Supremo Tribunal Federal (STF) está analisando duas ações do partido PSD, de Eduardo Paes, que envolvem a eleição do próximo governador do Rio de Janeiro. Uma das ações, relatada pelo ministro Luiz Fux, busca estabelecer as normas para uma eleição indireta na Assembleia Legislativa. A outra, sob a responsabilidade do ministro Cristiano Zanin, pede uma eleição direta, argumentando que a renúncia do ex-governador Cláudio Castro foi uma manobra para evitar a cassação de seu mandato na Justiça Eleitoral.
No início da sessão, o ministro Flávio Dino destacou a importância de aguardar o acórdão do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), que trará a decisão sobre a situação de Castro. Dino acredita que essa avaliação é crucial para entender a natureza da renúncia, que ocorreu no contexto de um julgamento em andamento.
Segundo o ministro, embora o TSE tenha declarado a cassação do diploma de governador, a renúncia de Castro levava a um cenário onde a escolha deveria ser feita pelos deputados estaduais. Para Dino, a clareza do TSE sobre esse assunto é essencial antes de avançar com o modelo de eleição. Ele, portanto, pediu a suspensão do julgamento até que o acórdão fosse publicado.
“Diante desses pontos, o melhor caminho para respeitar a Justiça Eleitoral é esperar a formalização do julgamento. Estamos sem os votos e o acórdão ainda não foi divulgado”, afirmou o ministro.
Ação Urgente para o Rio de Janeiro
O ministro André Mendonça, por sua vez, solicitou a antecipação de seu voto e enfatizou a necessidade urgente de encontrar uma solução para a situação no Rio de Janeiro. Mendonça argumentou que não se poderia afirmar que a renúncia de Castro foi uma tentativa de contornar a Justiça Eleitoral. Ele reforçou que a desincompatibilização era necessária para a candidatura nas próximas eleições, apoiando o relator Luiz Fux ao pleitear a eleição indireta e divergindo de Zanin, que defende a eleição direta.
“A renúncia do ex-governador Cláudio Castro, coincidente com a véspera da continuação do julgamento no TSE, está inserida em um contexto notório de desincompatibilização para candidaturas em 2026”, destacou Mendonça.
A presidente do TSE e ministra Cármen Lúcia também se manifestou, alertando que a decisão do STF sobre as ações do PSD poderia estar atropelando o tribunal eleitoral. Ela antecipou que o acórdão sobre o caso de Castro deve ser finalizado na semana seguinte.
“A atuação do STF ao assumir responsabilidades antes de o TSE concluir seus julgamentos foi, na minha visão, indevida e agressiva contra o Tribunal Superior Eleitoral”, declarou Cármen Lúcia.
Desafios da Liderança Carioca
O ministro Zanin enfatizou a importância de uma decisão rápida, enquanto Gilmar Mendes lamentou a situação política no Rio de Janeiro e destacou a infiltração do crime organizado entre os políticos na Assembleia Legislativa. Mendes afirmou que a resolução desse impasse é urgente para o bom andamento da política no estado.
“É vital que o TSE publique seu acórdão e acelere os julgamentos para que possamos avançar. Estamos enfrentando crises a cada momento, como a prisão do presidente da Assembleia”, comentou Mendes.
O ministro Alexandre de Moraes também se mostrou preocupado com a influência do crime organizado, sublinhando que a renúncia de Cláudio Castro não deve ser analisada de forma isolada, mas dentro do complexo contexto atual do estado.
“Não podemos ignorar que tudo isso faz parte de um conjunto maior de eventos. As decisões não podem ser tomadas sem considerar a situação geral do Rio de Janeiro”, afirmou Moraes.
Flávio Dino, ao final da sessão, apresentou dados alarmantes sobre prisões e cassações de governadores e deputados estaduais no Rio, reforçando a gravidade da crise política.
“Nenhum outro estado no Brasil enfrenta a situação que vemos aqui. Desde 2017, diversos governadores enfrentaram problemas sérios com a Justiça, e isso reflete uma sequência preocupante”, alertou Dino.
A votação se encerrou com quatro votos favoráveis à eleição indireta e um contra, sem uma data definida para o retorno do julgamento. Enquanto isso, o presidente do Tribunal de Justiça do Rio permanecerá no comando do estado até que a situação se resolva.

