Um Retorno ao Início da Carreira
A cantora e compositora Céu, que emergiu na cena musical brasileira em 2005 com seu álbum de estreia, decidiu revisitar suas raízes ao comemorar os 20 anos desse marco em sua carreira. Na noite de 11 de abril, ela subiu ao palco do Vivo Rio, durante o encerramento do Queremos! Festival, e fez uma emocionante homenagem ao disco que a lançou ao estrelato. Com uma plateia calorosamente receptiva, Céu destacou que foi recebida ‘de braços abertos como os do Cristo Redentor’ na sua primeira apresentação para o público carioca.
Inicialmente, a interpretação vocal de Céu e seu estilo musical não despertaram meu encantamento na época de lançamento. O álbum “Céu”, produzido por Beto Villares, não conseguiu me conquistar imediatamente. Somente a partir de seu segundo trabalho, “Vagarosa”, lançado em 2009 e envolto em uma atmosfera de dub, é que comecei a me interessar pela artista. No entanto, com o tempo, ficou claro que Céu seguiu sua jornada musical com uma identidade forte, apresentando algo novo a cada álbum lançado.
Uma Noite de Recordações e Novidades
O show, intitulado “Céu 20”, trouxe uma seleção cuidadosa de músicas do álbum de estreia e de trabalhos subsequentes. Sob a direção de Luiza Lian, a apresentação teve um formato mais enxuto, adaptando-se ao tempo limitado do festival. Céu não estava sozinha no palco: acompanhada de uma banda talentosa, que incluía músicos como Leonardo Mendes (guitarra) e Pedro Lacerda (bateria), a cantora revisitou canções como “Lenda” e “Malemolência”, que foram recebidas com entusiasmo pela plateia.
Um dos momentos mais marcantes da noite foi quando Céu falou sobre a importância do seu primeiro disco, que, segundo ela, ‘veio carregado de referências e reverências’. A artista destacou a ideia de que ‘modernizar o passado é uma evolução musical’, citando o icônico Chico Science. Essa reflexão ressoou entre os fãs, reforçando a conexão emocional que muitos têm com suas músicas.
Uma Celebração Musical Inesquecível
O repertório foi cuidadosamente montado, permitindo que o público relembrasse os sucessos que marcaram a trajetória de Céu. No bis, a artista apresentou canções de cada um de seus álbuns posteriores, incluindo duas faixas do aclamado “Tropix”, lançado em 2016. Essa escolha não apenas homenageou o início de sua carreira, mas também destacou sua evolução como artista ao longo dos anos.
Embora a noite tenha sido inicialmente planejada para que eu assistisse à estreia do show de Fernanda Abreu, que comemorava os 30 anos do álbum “Da Lata”, a apresentação de Céu foi uma grata surpresa. Sua energia e talento no palco foram contagiantes, e fiquei feliz por ter chegado cedo e conseguido desfrutar desse momento especial. A interação dela com o público e a forma como ela revisitava suas músicas com um novo olhar proporcionaram uma experiência única e emocionante.
Assim, com um show que vai muito além de uma simples celebração de aniversário, Céu reafirmou seu lugar na história da música brasileira, mostrando que, mesmo após duas décadas, sua arte continua a tocar o coração de muitos. O Vivo Rio teve a sorte de receber uma artista tão única, que conseguiu, uma vez mais, cativar e encantar o público carioca.

