Introdução à literatura infantojuvenil e criação literária
Desde abril, uma oficina literária tem mobilizado alunos de um projeto social em São Gonçalo, incentivando-os a explorar a literatura infantojuvenil e desenvolver suas próprias histórias. Durante as atividades, as crianças tiveram contato com obras importantes como “Amoras”, de Emicida; “Chapeuzinho Amarelo”, de Chico Buarque; e “Branco, Belo e Cinderelo”, de José Roberto Torero e Marcus Aurelius Pimenta. O objetivo principal foi apresentar releituras criativas dos contos tradicionais, estimulando a percepção das crianças sobre diferentes formas de narrar histórias.
Desenvolvimento das narrativas e participação dos alunos
Após a etapa inicial de leitura e debates, cada aluno escolheu um tema para criar sua própria narrativa. Ao longo das aulas semanais, surgiram contos de fada, fábulas e até um tutorial com o título “como ficar rico e sábio”. Essa diversidade mostra o quanto a oficina incentivou a imaginação e a expressão pessoal dos jovens escritores.
Coordenação pedagógica e inspiração do projeto
Gabriela Martins, coordenadora pedagógica do projeto e formada em Letras pela Universidade Federal Fluminense (UFF), explica que a ideia da oficina veio de sua especialização em literatura infantojuvenil. “Quando iniciei minha pós-graduação na UFF, utilizei algumas das obras trabalhadas no projeto em avaliações, o que despertou em mim o desejo de trazer esses livros para as crianças e mostrar que elas também poderiam criar histórias potentes e criativas”, relata Gabriela.
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História de destaque: “O Sentimento de Culpa”
Entre os jovens autores, João Miguel Alves Morett, de 10 anos, escreveu “O Sentimento de Culpa”, uma narrativa que aborda temas como medo de errar, honestidade e responsabilidade emocional. Na história, Albert, um menino que busca a perfeição, acaba causando sem querer a morte do sapo de estimação da irmã e decide esconder o ocorrido. A culpa, então, ganha forma de um monstro que cresce enquanto a verdade não é revelada.
Renata, mãe de João Miguel, compartilha a emoção da família com o projeto: “Quando ele me contou que estava produzindo um livro com as outras crianças, fiquei muito empolgada. O João sempre foi incentivado à leitura em casa, mas manteve o mistério sobre o tema até o final. Ver esse projeto ganhar vida foi emocionante para todos nós”.
Inscrições e alcance do projeto social
As inscrições para participar do projeto estão abertas durante todo o ano e podem ser feitas pelo e-mail [email protected]. O projeto Craque do Amanhã, ativo desde 2012, utiliza o futebol como ferramenta de inclusão e transformação social, combinando esporte com ações educacionais, culturais e socioassistenciais. Atualmente, beneficia cerca de 5 mil pessoas mensalmente em cinco unidades: Arsenal e Neves, em São Gonçalo; Saracuruna e Barra Mansa, no estado do Rio de Janeiro; e Santa Izabel, em São Paulo.

