Preocupações com a Redistribuição de Royalties
Entidades empresariais do Rio de Janeiro estão demonstrando apreensão quanto à possibilidade de uma mudança na distribuição dos royalties gerados pela exploração de petróleo e gás natural. Os impactos dessa redefinição podem ser significativos, tanto para o tesouro estadual quanto para os municípios.
Na última terça-feira, um manifesto foi entregue ao governador em exercício do estado, Ricardo Couto, pelas principais associações do setor produtivo, incluindo a Federação das Indústrias do Estado do Rio de Janeiro (Firjan), a Associação Comercial do Rio de Janeiro (ACRJ) e a Fecomércio RJ. No documento, as entidades estimam que as perdas anuais podem alcançar cerca de R$ 9 bilhões para o estado e R$ 13 bilhões para as cidades.
Os representantes do setor enfatizam que, caso a redistribuição dos royalties aconteça, as finanças estaduais e municipais podem ser severamente comprometidas. Atualmente, os royalties são uma compensação financeira paga pelas empresas à União, estados e municípios em função da exploração de petróleo e gás.
Os estados produtores, assim como aqueles que abrigam infraestrutura de apoio, como bases e portos, são os principais beneficiários dessa receita. Essas compensações são consideradas indispensáveis, uma vez que visam mitigar os impactos sociais e ambientais decorrentes da extração de petróleo nas regiões afetadas. Em 2025, a previsão é que os royalties do petróleo gerem cerca de R$ 81 bilhões.
Recentemente, o colunista Ancelmo Gois destacou que a crise política provocada por ações do ex-presidente Donald Trump pode propiciar um aumento na arrecadação do Estado do Rio, que poderia ultrapassar R$ 10 bilhões.
Impactos nas Finanças Públicas
Os recursos provenientes dos royalties exercem um papel vital nas finanças públicas do estado do Rio de Janeiro, o maior produtor de petróleo do Brasil. Cidades como Campos dos Goytacazes, Macaé, Maricá e Niterói se beneficiam diretamente dessa injeção financeira, que é investida em áreas essenciais, como saúde, educação e segurança.
A disputa pela nova repartição dos royalties não é recente. Desde 2013, uma alteração aprovada pelo Congresso, que visava redistribuir os recursos favorecendo os estados e municípios não produtores (Lei 12.734/2012), encontra-se suspensa por uma decisão liminar da ministra Cármen Lúcia, do Supremo Tribunal Federal (STF).
Essa situação reflete uma longa batalha entre os estados produtores e não produtores de petróleo, que pode estar se aproximando de uma resolução. O STF agendou para o dia 6 de maio o julgamento que avaliará a constitucionalidade da lei que altera a repartição dos royalties no Brasil, o que poderá ampliar o repasse para os estados e municípios que não são produtores.
Expectativas Futuras
A discussão em torno da redistribuição dos royalties do petróleo no Brasil mobiliza não apenas os empresários, mas também figuras políticas proeminentes, como o prefeito do Rio de Janeiro, Eduardo Paes, e aliados do governador Cláudio Castro. A expectativa é que a decisão do STF poderá redefinir drasticamente os fluxos financeiros entre os estados, impactando diretamente na capacidade de investimento das cidades.
Com as projeções do Fundo Monetário Internacional (FMI) indicando um crescimento mais modesto para a economia global, o Brasil se destaca com revisões positivas para seu PIB, refletindo a volatilidade do mercado de petróleo que, por sua vez, tem implicações diretas nas receitas estaduais.

