Operação Mirando a Fraude
A Delegacia de Defraudações do Rio de Janeiro, em parceria com o Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro (MPRJ), deflagrou uma operação que visa prender 11 pessoas envolvidas em um esquema de pirâmide financeira que operava desde 2020 e causou perdas estimadas em R$ 7,5 milhões. Até o momento, o delegado Marcos Buss afirmou que, segundo informações obtidas, os valores movimentados pelo grupo poderiam ultrapassar R$ 50 milhões. Além disso, constam pelo menos 165 ações judiciais e registros de ocorrências contra os investigados.
Na última atualização, um dos alvos, identificado como Igor Aguiar Rodrigues Gonçalves, foi preso. Ele é considerado parte do “núcleo comercial” do esquema, responsável por captar e manter as vítimas. Outro envolvido, Luiz Gustavo de Oliveira Fernandes, já se encontrava preso e é apontado como parceiro dos líderes do golpe.
Os 11 suspeitos enfrentam denúncias do MPRJ por organização criminosa, práticas de pirâmide financeira, crimes contra a economia popular e estelionato. Os mandados de prisão foram emitidos pela 2ª Vara Criminal Especializada em Organização Criminosa da Capital.
Empresas de Fachada e Promessas Enganosas
Segundo a 1ª Promotoria de Justiça de Investigação Penal Especializada da Capital, que liderou a denúncia, o grupo estabeleceu um complexo de 19 empresas de fachada. Estas empresas, ligadas a dois grupos, LGO e A&C, estavam todas registradas no mesmo endereço, localizado na Rua da Assembleia, no Centro do Rio, com o intuito de conferir uma aparência de legalidade ao esquema. Vale ressaltar que essas empresas não tinham registro na Comissão de Valores Mobiliários (CVM) e operavam à margem do sistema financeiro nacional, mesmo assim, ofereciam investimentos ao público.
O MPRJ salientou que alguns dos envolvidos já eram alvos de diversos inquéritos por crimes semelhantes e que, mesmo após intervenções policiais e prisões anteriores, o grupo continuou suas atividades ilícitas. A operação ainda investiga possíveis ligações dos procurados com o Autibank, um banco digital cujo proprietário, Yuri Medeiros Correa, foi detido em uma operação por fraudes similares.
Promessas de Retornos Irrealistas
Os investigados prometiam aos investidores um retorno de aproximadamente 3% ao mês, o que, inicialmente, parecia viável. Nos primeiros meses, os pagamentos eram realizados para criar confiança nas vítimas, que eram, então, incentivadas a reinvestir seus valores e a trazer novos participantes. No entanto, com o tempo, os saques começaram a ser bloqueados.
A polícia relatou que, sempre que uma das empresas enfrentava problemas financeiros ou acumulava reclamações, os envolvidos abriam uma nova pessoa jurídica para migrar os clientes, mantendo assim o funcionamento do esquema fraudulento.
“Eles prometiam rendimentos muito acima da média do mercado, atraindo as vítimas. No entanto, o que realmente acontecia era que os mais antigos eram pagos com o dinheiro dos novos participantes”, explicou o delegado Buss. “Quando o número de novos participantes não era suficiente para cobrir os saques, o esquema ruía, e eles desapareciam com o dinheiro”.
A investigação revelou casos em que vítimas realizaram aportes significativos ao longo do tempo. Em uma situação, uma pessoa chegou a investir cerca de R$ 1,5 milhão em contratos sucessivos, evidenciando a gravidade e a extensão das ações fraudulentas do grupo.

