Prevenção reforçada em Niterói para enfrentar período crítico de queimadas
Com a chegada prevista de um “super El Niño” e a expectativa de redução das chuvas no Sudeste, a prefeitura de Niterói intensificou as ações de prevenção contra queimadas, que costumam ser o principal problema ambiental da cidade durante os meses mais secos. Em 2026, o Corpo de Bombeiros já contabilizou quase cem focos de incêndio em áreas de vegetação, sendo 20 somente em maio.
Alerta climático e impactos no cotidiano da cidade
O alerta foi emitido com base em projeções climáticas que indicam temperaturas acima da média e estiagens mais severas entre maio e julho. Institutos como o Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet), o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) e a Fundação Cearense de Meteorologia e Recursos Hídricos (Funceme) apontam que as condições geradas pelo El Niño aumentam o risco de queimadas no Estado do Rio de Janeiro.
O fenômeno climático, que se manifesta pelo aquecimento anormal do Oceano Pacífico, preocupa autoridades em todo o país. Governos estaduais e a União adotam medidas para mitigar os impactos, já que o “super El Niño” pode provocar chuvas intensas no Sul e agravar secas e ondas de calor em outras regiões, incluindo o Sudeste. O Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais (Cemaden) reforça o risco elevado de incêndios na região.
Incêndios em Niterói: números que preocupam e histórico recente
Em Niterói, o período de maior atenção vai de maio a setembro, quando tradicionalmente ocorrem a maioria dos incêndios em vegetação. Dados da Defesa Civil municipal indicam que, entre 2021 e 2025, foram registradas 832 ocorrências nesse intervalo.
O aumento nas chamadas ao Corpo de Bombeiros é notável: em 2023, entre 1º de janeiro e 28 de maio, foram 66 acionamentos para combate às queimadas. Em 2024, esse número saltou para 194, e em 2025, já chegou a 379 no mesmo período.
Operação Queimadas: tecnologia e voluntariado para combater o fogo
Para enfrentar o problema, a Prefeitura ampliou a Operação Queimadas, que combina monitoramento tecnológico e mobilização comunitária. Drones, sensores, imagens de satélite e mapas georreferenciados são utilizados para identificar áreas vulneráveis e acelerar a resposta a focos de incêndio.
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Um dos pontos centrais da estratégia é o Núcleo de Defesa Civil (Nudec) Queimadas, com cerca de 700 voluntários organizados em 15 grupos espalhados pela cidade. Eles trabalham em conjunto com o Corpo de Bombeiros em ações de prevenção, orientação e identificação rápida de incêndios.
Prevenção antes do fogo: foco na conscientização e monitoramento
O secretário municipal de Proteção e Defesa Civil, coronel Walace Medeiros, destaca que o combate às queimadas começa muito antes do fogo se alastrar.
— Nosso trabalho é focado na prevenção, no monitoramento constante e na educação da população para evitar que o incêndio aconteça — explica.
Moradora da Comunidade da Salina, em Jurujuba, Conceição Jeremias da Silva Neta, 47 anos, relata o impacto das queimadas no bairro.
— Já vi muitas queimadas por causa da vegetação extensa aqui. O fogo se espalha rápido e já chegou perto das casas. Antes, queimar lixo no quintal era comum, e até soltar balão parecia algo bonito, mas hoje entendemos o perigo real disso — conta.
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Formação de voluntários e orientações para a população
Como parte das ações preventivas, a Defesa Civil abrirá uma nova turma para formação do Nudec Queimadas nos dias 4, 11, 18 e 25 de julho. As inscrições serão divulgadas nas redes sociais do órgão. O curso inclui aulas sobre primeiros socorros, prevenção e combate a incêndios, meteorologia, orientação cartográfica e cuidados com animais afetados pelo fogo.
Atualmente, a Defesa Civil de Niterói conta com mais de três mil voluntários distribuídos em 153 núcleos comunitários especializados. Nos últimos 13 anos, o município investiu mais de R$ 1,7 bilhão em ações de prevenção e mitigação de desastres naturais.
Cuidados essenciais para evitar incêndios e orientações em casos de emergência
A Defesa Civil orienta evitar práticas que podem iniciar incêndios, como queimar lixo, folhas secas ou restos de poda, jogar bitucas de cigarro em áreas com vegetação e descartar carvão ainda aceso em terrenos. Soltar balões é crime ambiental e representa risco real à segurança.
Em caso de fumaça ou princípio de incêndio, a recomendação é ligar imediatamente para a Defesa Civil pelo telefone 199 ou para o Corpo de Bombeiros pelo 193, sem tentar combater incêndios de grande porte sozinho.
Além disso, restos de poda devem ser ensacados e colocados para a coleta regular de lixo. Para grandes volumes, a prefeitura orienta solicitar a coleta pela Clin. Podas só podem ser feitas com autorização da Secretaria de Meio Ambiente, e os resíduos vegetais podem ser reaproveitados em compostagem, jardinagem ou artesanato.

