Avanços na pesquisa sobre biomarcadores cardiovasculares
Em Niterói (RJ), uma importante linha de pesquisa vem ganhando espaço no campo da cardiologia. O professor Humberto Villacorta, médico do Hospital Universitário Antônio Pedro (Huap-UFF) e pesquisador da Universidade Federal Fluminense, investiga o biomarcador GDF-15 (Growth Differentiation Factor 15) como um possível indicador de alterações no coração.
Biomarcadores são substâncias presentes no sangue ou na urina que auxiliam no diagnóstico e prognóstico de doenças. Na área da insuficiência cardíaca — condição em que o coração aumenta de tamanho, enfraquece e provoca sintomas como falta de ar e inchaço nas pernas —, esses indicadores são essenciais para entender a gravidade da doença e o risco de hospitalização ou morte.
O papel do GDF-15 nas doenças do coração
Entre os biomarcadores já conhecidos estão os peptídeos natriuréticos (BNP e NT-proBNP) e as troponinas. Contudo, o GDF-15 tem chamado atenção por sua função anti-inflamatória e por atuar como uma citocina protetora no organismo. “Quando os níveis de GDF-15 estão elevados, o prognóstico tende a ser pior, mas em algumas situações essa substância pode oferecer proteção”, explica o professor Villacorta. Normalmente, grandes quantidades do GDF-15 só são produzidas na placenta durante a gravidez.
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Com o apoio de alunos de mestrado e doutorado, o pesquisador testou os níveis do GDF-15 em pacientes do ambulatório de cardiologia do Huap-UFF. Os resultados mostraram que aqueles com fibrilação atrial — uma arritmia cardíaca — e pacientes com problemas renais apresentavam níveis mais altos do biomarcador.
Impactos para pacientes com fibrilação atrial
A fibrilação atrial é conhecida por aumentar o risco de hospitalização em quem sofre de insuficiência cardíaca. A pesquisa buscou entender se o GDF-15 poderia agregar informações relevantes sobre esse risco. Ao analisar também o peptídeo natriurético, biomarcador de referência, foi constatado que a elevação simultânea dos dois indicava um prognóstico ainda mais grave do que quando apenas um deles estava elevado.
Os pacientes com fibrilação atrial que apresentaram níveis altos desses biomarcadores tiveram maior chance de morte cardiovascular, internações, acidente vascular cerebral (AVC) e sangramentos. Esses resultados foram publicados em revistas científicas como o Journal of Cardiac Failure e o American Heart Journal Plus, além de terem sido apresentados no Congresso da Sociedade Brasileira de Cardiologia.
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Sobre a HU Brasil e sua importância na saúde pública
Fundada pela Lei nº 12.550/2011 e vinculada ao Ministério da Educação (MEC), a HU Brasil, anteriormente conhecida como Empresa Brasileira de Serviços Hospitalares (Ebserh), administra 45 hospitais universitários federais em 25 estados. Em 2026, a instituição passou por um reposicionamento, adotando o nome HU Brasil, que expressa sua missão de promover uma gestão de excelência para fortalecer o atendimento e a pesquisa na saúde pública brasileira.

