Disputa no Palácio Grão-Pará agita a família imperial brasileira
A monarquia brasileira foi oficialmente encerrada há 136 anos, mas os descendentes da antiga família imperial continuam protagonizando episódios que surpreendem a justiça do país. Recentemente, o juiz Adriano Loureiro Binato de Castro, da 2ª Vara Cível de Petrópolis, concedeu uma liminar que devolveu a posse do Palácio Grão-Pará a Pedro Thiago, filho do atual chefe da casa imperial brasileira. O príncipe, título registrado oficialmente em seu nascimento e que persiste mesmo após o fim da república, enfrentou uma situação inesperada ao retornar de um evento no dia 9 e encontrar o acesso ao palácio bloqueado.
Sem qualquer ordem judicial, a companhia imobiliária de Petrópolis, empresa familiar responsável pela gestão dos imóveis e pelo recebimento do Laudêmio — uma taxa sobre transações imobiliárias que gera mais de R$ 5 milhões anuais à família —, substituiu a fechadura do palácio. O episódio desencadeou uma confusão, com a presença de uma viatura policial, o uso de bomba de gás lacrimogêneo e o registro de boletim de ocorrência pelo príncipe, tratado como um cidadão comum diante da situação.
Decisão judicial reconhece posse de Pedro Thiago
Ao analisar o caso, o magistrado entendeu que houve esbulho possessório e ordenou a restituição imediata da posse a Pedro Thiago, que reside no imóvel desde seu nascimento, em 1980. A companhia imobiliária reconhece publicamente a ocupação do palácio por membros da família imperial há décadas. A liminar impõe ainda uma multa diária de R$ 10 mil, limitada a R$ 100 mil, caso a ordem não seja cumprida.
Fabrizio Vecchio, advogado que representa Thiago, ressalta que o príncipe sempre buscou preservar a história do Brasil para que as gerações atuais compreendam a importância de Dom Pedro II. “O Poder Judiciário do Rio de Janeiro agiu rapidamente para garantir a posse do Palácio Grão-Pará a seu legítimo ocupante”, afirmou o defensor.
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Conflito familiar envolve interesses financeiros e preservação histórica
O episódio tornou pública uma disputa interna na família imperial, motivada principalmente por questões financeiras. Fontes próximas revelam que o pai e um tio de Thiago, ambos membros da diretoria da holding familiar, tentam há meses desocupar o palácio para colocá-lo à venda. Localizado em uma área nobre do centro de Petrópolis, o imóvel tem valor estimado em cerca de R$ 70 milhões.
Contra a venda, Pedro Thiago defende a manutenção e a abertura do prédio para visitação pública, já que o palácio funcionava como anexo do palácio imperial — hoje o museu mais visitado do país — onde residiam funcionários da corte do imperador Dom Pedro II. Após o retorno ao palácio, Thiago percebeu o desaparecimento de um quadro valioso e de seu automóvel, além de encontrar suas roupas embaladas para transporte a local desconhecido.
Patrimônio histórico sob disputa e falta de transparência
Outro ponto delicado é a ausência de informações claras sobre o patrimônio da família. A casa onde viveram a princesa Isabel e o Conde d’Eu, atualmente aberta à visitação e sede da empresa familiar, nunca teve sua propriedade formalmente transferida. Mesmo após 106 anos da morte da princesa imperial, ela e seu marido continuam registrados como proprietários. O inventário do patrimônio jamais foi concluído, embora haja uma força-tarefa dedicada a localizar o processo.
Enquanto o Palácio Grão-Pará permanece sob os cuidados de Pedro Thiago, que arca com as despesas de manutenção de forma independente, a empresa da família não realiza os reparos necessários, mesmo com a função do imóvel como sede da casa imperial. Pessoas próximas ao príncipe não conseguem explicar essa falta de cuidado por parte da companhia imobiliária.
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Quem é Pedro Thiago, o príncipe do Grão-Pará?
Pedro Thiago de Orléans e Bragança é o filho primogênito de Dom Pedro Carlos de Orleans, atual chefe da casa imperial de Petrópolis, e de Rony Kuhn de Sousa, que faleceu dois dias após seu nascimento. O título de príncipe que carrega não é uma homenagem saudosista, mas sim um reconhecimento oficial do Estado brasileiro, mantido por um erro constitucional ou por influências históricas do início da república.
Em documentos oficiais, seu nome completo inclui o título de Príncipe Pedro Thiago Maria Miguel Gabriel Rafael Gonzaga de Orléans e Bragança e Kuhn de Sousa. Como trineto da princesa Isabel, recebeu da família paterna o título de príncipe do Grão-Pará e assumiu o título de Príncipe Imperial do Brasil após o falecimento do avô em 2007. Caso o Brasil ainda fosse uma monarquia, Pedro Thiago seria o próximo imperador.
Um passado marcado por eventos traumáticos
Além da atual disputa pelo palácio, a vida de Pedro Thiago já foi marcada por momentos difíceis. Em maio de 1992, durante uma onda de sequestros de pessoas famosas e abastadas no país, ele foi raptado aos 13 anos enquanto se dirigia à escola em Petrópolis. Os sequestradores exigiram um resgate de US$ 5 milhões, mas o príncipe foi libertado sem que o valor fosse pago.
Até o momento, não foi possível obter resposta da Companhia Imobiliária de Petrópolis sobre o conflito envolvendo o Palácio Grão-Pará e a família imperial.

