Concentração dos Crimes em Capitais Brasileiras
Os dados recentes indicam que os roubos e furtos de celulares continuam concentrados principalmente em grandes centros urbanos, especialmente nas capitais estaduais e áreas metropolitanas. De acordo com o anuário, entre os 20 municípios com as maiores taxas desses crimes por 100 mil habitantes, 14 são capitais. O ranking é liderado por São Luís, seguida por Belém, São Paulo, Salvador e Lauro de Freitas (BA), reforçando a predominância dessas regiões na ocorrência dos delitos.
Embora São Paulo apareça na terceira posição do ranking por taxa, a capital paulista concentra o maior número absoluto de casos, representando 20% do total nacional. O anuário do Fórum Brasileiro de segurança pública (FBSP) descreve São Paulo como o principal polo nacional de roubos e furtos de celulares, desempenhando papel central na dinâmica desse mercado ilícito. O estudo ainda aponta que os aparelhos roubados frequentemente seguem uma rota internacional, chegando até a China, onde são comercializados em mercados de bens roubados.
Regiões e Tendências nos Crimes
O levantamento destaca uma forte concentração geográfica: oito municípios do Nordeste estão na lista, seis do Norte e o restante no Sudeste, com ausência de representantes do Centro-Oeste. Apesar da queda nacional nos registros, o FBSP alerta para a subnotificação dos casos. Uma pesquisa anterior mostra que 8,3% da população brasileira com 16 anos ou mais afirmou ter sido vítima de roubo ou furto de celular, o que equivale a cerca de 13,9 milhões de pessoas. Muitos não registram Boletins de Ocorrência, indicando que os dados oficiais podem ser subestimados.
Ao detalhar os números, o anuário aponta duas tendências distintas: os roubos diminuíram 18,6%, enquanto os furtos apresentaram estabilidade, com ligeiro aumento de 0,9%. Atualmente, seis em cada dez celulares subtraídos são furtados, enquanto quatro em cada dez são roubados.
Locais e Horários dos Crimes
O estudo também revela informações sobre os locais e horários mais comuns para esses crimes. As vias públicas concentram 77,2% dos roubos, enquanto os furtos ocorrem 49,3% nas ruas, 15,2% em estabelecimentos comerciais e 6,1% no transporte público. Quanto aos horários, os roubos têm dois picos: o primeiro entre 5h e 6h da manhã e o segundo entre 18h e 23h. Já os furtos são mais frequentes entre 10h e 12h e das 17h às 20h.
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Influência do Programa Celular Seguro
Uma das hipóteses para a queda nos roubos está ligada ao programa Celular Seguro, lançado pelo governo federal em dezembro de 2023, considerado uma das estratégias do governo Lula para fortalecer a segurança pública. O programa permite o bloqueio remoto dos aparelhos, dificultando o acesso dos criminosos aos dados e contas das vítimas.
No caso dos roubos, é comum que o criminoso exija que a vítima entregue o celular desbloqueado ou informe suas senhas. Com o bloqueio remoto, o valor do aparelho cai para os criminosos, desestimulando essa prática. Já nos furtos, o impacto do programa é menor, pois os autores geralmente não esperam acessar os dados, focando na revenda das peças ou do aparelho em mercados informais.
Outras Hipóteses para a Redução de Crimes
Outra explicação para a diminuição dos roubos pode estar no aumento do risco para os criminosos. O roubo, que envolve violência ou ameaça, pode ter se tornado menos atrativo devido à ampliação das câmeras de monitoramento, maior atuação policial e adoção de comportamentos pela população que dificultam abordagens violentas em espaços públicos, segundo o anuário.
Além disso, a valorização dos mecanismos de segurança dos aparelhos, desenvolvidos pelos fabricantes, pode ter reduzido o valor de revenda dos celulares roubados. Um estudo australiano citado no levantamento mostra que o preço médio desses eletrônicos caiu de 33% em 2002 para 11% em 2018.
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Crescimento dos Registros de Receptação
Apesar da queda nos roubos e furtos, o anuário registra aumento de 3,3% nos casos de receptação, que subiram de 70.207 para 72.789 entre 2024 e 2025. Treze estados apresentaram crescimento nesse tipo de crime, com destaque para Amazonas (140,2%), Paraná (48,3%) e Alagoas (43,5%). Em 11 das 25 unidades federativas onde os roubos e furtos diminuíram, os registros de receptação cresceram.
Segundo o estudo, há uma possível relação entre esses crimes: com a receptação mais custosa e sujeita a detecção, o incentivo para a prática de roubos e furtos diminui, refletindo na redução dos casos.
Entre as exceções à queda nacional, destacam-se o Rio de Janeiro e a Paraíba, que apresentam índices diferentes da tendência geral, indicando desafios específicos nestas regiões. O anuário reforça, portanto, a importância de estratégias locais e integradas para combater esses crimes e proteger a população.
Freitas (BA)

