Um Legado Imortal
A morte do renomado autor e dramaturgo Manoel Carlos, aos 92 anos, foi sentida profundamente por artistas e políticos, que se manifestaram nas redes sociais neste sábado (10). O falecimento do escritor, ocorrido no Rio de Janeiro, foi confirmado por familiares, mas a causa não foi divulgada. Manoel Carlos, conhecido por sua habilidade em contar histórias emocionantes, deixou uma marca indelével na televisão brasileira.
O dramaturgo Walcyr Carrasco, em um vídeo nas redes sociais, expressou sua tristeza: “Manoel Carlos foi inspiração para todos os novelistas. Adeus, Manoel Carlos. Você foi, mas também fica nas suas obras”. Luciano Szafir, outro autor notável, também prestou suas homenagens, agradecendo ao escritor por suas histórias que tocaram gerações: “Obrigado por tantas histórias, por tantos encontros, por tantas emoções que atravessaram gerações. Sua obra permanece viva na memória, no afeto e no coração do Brasil”.
Outra figura que se despediu do icônico autor foi a atriz Gabriela Duarte, que se referiu a Manoel Carlos pelo carinhoso apelido de Maneco. “Serei eternamente grata a você, Maneco, por ter dado a grande chance profissional da minha vida. Se não fosse você, toda a minha história poderia ter sido diferente”, destacou ela, revelando a importância do autor em sua carreira.
Repercussão e Reflexões
A saúde debilitada do escritor já era uma preocupação entre seus colegas, como destacou Lilia Cabral, que trabalhou com ele: “A gente sabia que isso iria acontecer, Maneco já estava com 92 anos, a saúde dele também já estava debilitada, a gente meio que sabia, mas quando a notícia vem, a gente fica assim”. A afirmação revela a admiração que muitos tinham por ele, mesmo diante da expectativa da sua morte.
O lamento pela perda de Manoel Carlos se estendeu ao meio político. O prefeito do Rio de Janeiro, Eduardo Paes (PSD), não hesitou em reconhecer a importância do autor: “Um dos maiores cronistas do jeito de ser carioca. Meus sentimentos aos amigos e familiares. Viva Manoel Carlos!”. O governador Cláudio Castro (PL) também expressou seu pesar, afirmando que o Rio de Janeiro perdeu um “de seus maiores apaixonados”. Castro destacou: “Grande amante do Rio, ele ajudou a projetar nosso estado para o mundo, transformando nossas paisagens e o cotidiano em cenários vivos de suas tramas, sempre exaltando a beleza, os costumes e a alma do nosso povo”.
Sobre Manoel Carlos
Manoel Carlos Gonçalves de Almeida, nascido em 14 de março de 1933, na cidade de São Paulo, foi um dos principais autores da teledramaturgia brasileira. Com uma carreira que se estendeu por mais de cinco décadas, ele se destacou por retratar dramas familiares, relações amorosas e conflitos cotidianos, sempre tendo o Rio de Janeiro como pano de fundo para suas histórias.
O carinhoso apelido de Maneco não apenas simboliza a proximidade que conseguiu estabelecer com seus personagens, mas também a ligação afetiva que manteve com seu público. Ele foi responsável por mais de 15 novelas de grande sucesso, muitas delas ambientadas no Leblon, na zona sul carioca, e ficou famoso por criar personagens femininas chamadas Helena, que se tornaram uma verdadeira assinatura de sua obra.
Entre seus trabalhos mais renomados, destacam-se títulos como “Por Amor” (1997), “Laços de Família” (2000), “Mulheres Apaixonadas” (2003) e “Baila Comigo” (1981). Suas produções exploraram temas como família, ética, amor, traição e relações humanas, sempre com um forte apelo emocional, fazendo de sua obra um verdadeiro legado na história da televisão brasileira.

