O Fascínio pelas Artes Marciais Históricas
Entre a pesquisa histórica e os desafios atléticos, as Artes Marciais Históricas Europeias, conhecidas como HEMA, estão conquistando espaço na América do Sul, especialmente no Brasil e na Argentina. Este movimento surge como uma alternativa atraente para os amantes de esportes fora do convencional. Ao contrário de uma simples peça teatral ou reconstituição, a HEMA representa a revitalização de sistemas de combate reais, documentados por mestres de armas entre os séculos XII e XX. Atualmente, essas práticas são realizadas com equipamentos modernos de proteção e simuladores de alta qualidade.
Recentemente, o Torneio Nacional de esgrima Histórica foi realizado em São Paulo, no Centro Esportivo do Ipiranga. As competições abrangeram modalidades como Espada Longa, Sabre Militar, Espada & Broquel e Rapieira. No Rio de Janeiro, aulas ao ar livre têm sido promovidas em locais como a Enseada de Botafogo, atraindo cada vez mais entusiastas.
A Interpretação dos Tratados Históricos
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O conceito de HEMA é mais complexo do que se imagina. Enquanto muitas artes marciais mantêm tradições orais, a HEMA se fundamenta em um sistema reconstruído. Para seus praticantes, o desafio consiste em desvendar tratados técnicos que resistiram ao tempo, transformando teorias em práticas reais. Como explica uma publicação da Escola de Esgrima Medieval do Rio de Janeiro em suas redes sociais: “HEMA significa Artes Marciais Históricas Europeias, e envolve o estudo e a prática de técnicas de combate com armas como espadas, sabres e lanças, baseando-se em manuais históricos. Para os aficionados por história e medievalismo, é um verdadeiro vício!”
A essência da HEMA está nos escritos de mestres de esgrima como Fiore dei Liberi e Johannes Liechtenauer. Este último é central na tradição germânica do século XIV, e seu sistema de esgrima é expressado em um poema enigmático, conhecido como Zettel, que ajudava seus discípulos a memorizar as técnicas, garantindo que não caíssem em mãos inexperientes.
O Crescimento Global e os Desafios da HEMA
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Fonte: curitibainforma.com.br
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O renascimento da HEMA ganhou força em todo o mundo a partir da década de 2000, impulsionado pela internet. Plataformas como a Wiktenauer, uma enciclopédia colaborativa, permitiram que grupos de entusiastas transcrevessem e aplicassem essas técnicas. Esse acesso facilitado ajudou a impulsionar o interesse por práticas que combinam pesquisa histórica e atividade física.
Dentro da HEMA, os praticantes exploram várias técnicas, abrangendo desde o combate corpo a corpo até o manejo de armas de haste, como alabardas e lanças. No entanto, a espada longa se destaca como a principal arma, caracterizada por sua utilização em duas mãos e seu papel proeminente entre os cavaleiros dos séculos XIV a XVI. Apesar de algumas crenças populares, essas espadas não são pesadas. O peso típico de uma espada de treino varia entre 1,3 e 1,8 quilos, e os treinamentos utilizam versões com pontas flexíveis para garantir a segurança nas estocadas.
O Cenário na América do Sul
O desenvolvimento da HEMA na América do Sul começou a ganhar forma no final da década de 2010. Na Argentina, o grupo Cruz del Sur, localizado em La Plata, foi um dos primeiros a estabelecer continuidade na prática. No Brasil, a Associação Brasileira de Esgrima Histórica (Abeh) começou a promover seus torneios em 2023, iniciando pesquisas sobre os equipamentos medievais utilizados por praticantes no país. O impacto da pandemia trouxe um ressurgimento da atividade, resultando na formação de novos clubes.
O treinamento na HEMA é intenso: inicia-se com um aquecimento rigoroso, sendo seguido pela análise das fontes históricas. Os participantes leem os textos originais, analisam o contexto e realizam exercícios para validar as técnicas propostas. O sparring, ou combate controlado, é a fase final do treinamento, onde o princípio da honestidade técnica prevalece. Como enfatiza Marcos Rodríguez Peluso, instrutor e fundador da academia de esgrima Vincere, “se o oponente precisa ajudar para que uma técnica funcione, a interpretação deve ser revista”.
A segurança durante os treinos é garantida por máscaras de esgrima reforçadas, jaquetas acolchoadas e luvas de impacto. Os benefícios físicos incluem melhora na coordenação, reflexos e explosão. Mentalmente, a prática desenvolve o pensamento estratégico e a capacidade de análise sob pressão. Contudo, o maior valor percebido entre os praticantes é o senso de pertencimento à comunidade. Não é necessária experiência anterior, e os equipamentos podem ser adquiridos gradualmente, começando por simuladores acolchoados antes de avançar para os de aço.

