Início do El Niño confirmado pela agência americana
A Administração Nacional Oceânica e Atmosférica (Noaa) dos Estados Unidos confirmou, em 11 de julho, o início do El Niño, fenômeno climático que deve se intensificar para níveis moderados ou fortes nos próximos meses. A previsão atual aponta uma chance de 63% de um El Niño muito forte entre novembro e janeiro, um aumento significativo em relação aos 37% estimados no mês anterior. Caso se confirme, esse evento pode estar entre os mais intensos já registrados desde 1950.
Como o El Niño impacta o Brasil e o clima global
Apesar de o El Niño aumentar a probabilidade de eventos climáticos extremos, a agência americana ressalta que cada episódio do fenômeno apresenta características distintas. O El Niño mais recente, que ocorreu entre 2023 e 2024, foi um dos mais severos e causou secas históricas na Amazônia e enchentes devastadoras no Rio Grande do Sul. Além disso, 2024 tem sido o ano mais quente registrado globalmente desde o século XIX, e o fenômeno pode contribuir para a manutenção ou superação desses recordes de temperatura.
O fenômeno é caracterizado pelo aquecimento das águas superficiais do oceano Pacífico, próximo à linha do Equador. A classificação da intensidade do El Niño varia conforme o aumento da temperatura da água: um nível muito forte representa um aquecimento igual ou superior a 2°C acima da média histórica. Os níveis forte, moderado, fraco e neutro correspondem a aumentos de 1,5°C a 2°C, 1°C a 1,5°C, 0,5°C a 1°C e entre -0,5°C e 0,5°C, respectivamente.
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Fonte: novaimperatriz.com.br
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Fonte: ocuiaba.com.br
Consequências para o Brasil e medidas de prevenção
Segundo nota técnica do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), o El Niño deste ano pode reduzir a quantidade de chuvas na região amazônica, elevando o risco de incêndios florestais. Em resposta, o ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal (STF), determinou que a União e os estados da Amazônia e do Pantanal apresentem planos para enfrentar essa ameaça. Já o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) afirmou que o governo federal está preparado para mitigar os efeitos do fenômeno, especialmente no que diz respeito à prevenção de queimadas durante períodos de seca.
No Brasil, o Norte e o Nordeste tendem a registrar menos chuvas em anos de El Niño, enquanto o Sul geralmente apresenta aumento na precipitação. O Centro-Oeste costuma enfrentar temperaturas mais elevadas, o que também potencializa o risco de incêndios. No Sudeste, espera-se elevação da temperatura média, especialmente na primavera e verão, com variações no volume de chuvas, que podem aumentar na região sudeste de São Paulo, centro-sul do Rio de Janeiro e Minas Gerais, e diminuir em áreas mais ao norte. Esses efeitos variam conforme a intensidade do fenômeno.
Impactos globais do El Niño na agricultura e clima
Além do Brasil, o El Niño pode afetar significativamente a produção agrícola no Sudeste Asiático e na Índia. Conforme Kyle Tapley, executivo da Vaisala Xweather, o fenômeno está associado a chuvas abaixo da média nessas regiões, o que compromete as monções, responsáveis por cerca de 70% das precipitações na Índia. Essa redução impacta culturas essenciais como arroz, algodão e soja, além das safras de inverno, afetando uma economia agrícola que representa aproximadamente 18% do PIB indiano de quase US$ 4 trilhões.
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Fonte: aquiribeirao.com.br
Na Indonésia, produtores de arroz já antecipam o calendário de plantio para minimizar os efeitos da seca prolongada prevista. O ministro da Economia da Malásia alertou que a produção agrícola do país pode cair entre 8% e 10% devido ao fenômeno. Nos Estados Unidos, o El Niño normalmente contribui para uma temporada de furacões menos intensa no Atlântico, embora furacões fortes ainda sejam possíveis. A temporada vigente ocorre entre 1º de junho e 30 de novembro.
É importante acompanhar os desdobramentos do El Niño para entender seus efeitos na economia real, desde a agricultura até os riscos ambientais e climáticos que afetam diretamente a renda, os preços e os empregos em diversas regiões do mundo.

