Uma Homenagem ao Legado de João Antônio Neto
No último domingo, 19 de abril, a Escola Superior da Magistratura de Mato Grosso (Esmagis-MT) teve a honra de celebrar os 106 anos de vida do desembargador João Antônio Neto. Este magistrado é uma figura emblemática, cuja trajetória se entrelaça com a própria história do Poder Judiciário em Mato Grosso e a formação jurídica no Estado. João Antônio Neto se destaca não apenas como um magistrado, mas também como escritor e professor, tendo sido um membro ativo da Academia Mato-grossense de Letras (AML). Sua carreira é marcada pelo compromisso com a Justiça, o humanismo e uma profunda valorização do conhecimento.
João Antônio Neto nasceu em Couto de Magalhães, uma localidade que antes pertencia a Goiás e hoje está incluída em Tocantins. Ele é filho de Pedro Antunes de Souza e Inezila Antunes. Sua formação começou no Colégio Coração de Jesus, em Guiratinga, onde cursou o ensino fundamental entre 1930 e 1934. O ensino secundário foi realizado no Colégio São Gonçalo, em Cuiabá, de 1937 a 1941. Posteriormente, mudou-se para o Rio de Janeiro, onde se formou na Faculdade Nacional de Direito, entre 1944 e 1948.
Carreira Notável e Contribuições
João Antônio Neto é o nome que batiza a Escola Superior da Magistratura de Mato Grosso (Esmagis-MT), onde foi diretor fundador e lecionou diversas disciplinas, incluindo Direito Constitucional e Filosofia do Direito entre 1985 e 1993. Sua atuação na Academia Mato-grossense de Letras é também digna de nota, ocupando a cadeira n. 25 desde sua posse em 1963, ocasião em que seu discurso foi publicado na Revista da Academia.
Formado em Direito, teve uma carreira diversificada como advogado, procurador fiscal do Estado e juiz de Direito em Alto Araguaia e Rondonópolis, de 1958 a 1967. Em 1967, ascendeu ao cargo de desembargador, onde ficou até 1973. Ele foi o primeiro juiz da Comarca de Rondonópolis e também atuou como presidente do Tribunal de Justiça de Mato Grosso (TJMT) e do Tribunal Regional Eleitoral (TRE-MT). Além de suas funções judiciais, compilou revistas jurídicas e anuários, incluindo os Anais Forenses do Estado de Mato Grosso.
Uma Trajetória Literária
Seus interesses vão além da Justiça; João Antônio Neto também é apaixonado pela literatura. Inspirado por sua mãe, ele é autor de cerca de 20 obras, abordando temas variados. Entre seus livros mais significativos estão “Vozes do Coração” (Cuiabá, 1941), “Três Gerações” (Rio de Janeiro, 1949), e “História do Poder Judiciário de Mato Grosso” (Cuiabá, 1983), entre outros.
Uma Homenagem Merecida
A celebração dos 106 anos de João Antônio Neto também simboliza o reconhecimento de sua contribuição para a magistratura e o ensino jurídico. A Escola Superior da Magistratura de Mato Grosso não somente leva seu nome, mas também instituiu, em 2025, o Medalhão Desembargador João Antônio Neto, que visa homenagear personalidades que impactaram positivamente a magistratura no Estado.
De acordo com o diretor-geral da Esmagis-MT, desembargador Márcio Vidal, celebrar esta data é uma honra tanto para a escola quanto para o Judiciário de Mato Grosso. “Estamos falando de um homem cuja trajetória ultrapassa um século de vida ativa, marcada pela lucidez intelectual e pelo compromisso com a Justiça e a Educação”, afirma Vidal.
Ele também destaca a importância da experiência pessoal que teve com João Antônio Neto, ressaltando momentos significativos que compartilharam durante o Encontro das Escolas da Magistratura do Brasil, em 1990, que foi crucial para o fortalecimento do ensino judicial no país. “Sua visão humanista e compromisso com o magistério continuam a influenciar nossa formação como magistrados”, completa.
João Antônio Neto é, portanto, não apenas parte da história da magistratura mato-grossense, mas um exemplo vivo de que o Direito deve ser acompanhado de educação, cultura, ética e humanismo. Aos 106 anos, ele continua a ser uma figura inspiradora, simbolizando valores necessários para a sociedade contemporânea.

