Greve dos motoristas de ônibus no Rio de Janeiro tem início nesta segunda
Os motoristas de ônibus da cidade do Rio de Janeiro iniciaram uma greve a partir das 0h desta segunda-feira. O movimento envolve linhas municipais e do BRT e reivindica um piso salarial de R$ 4 mil para os coletivos convencionais e R$ 5 mil para os articulados, além de aumento no vale alimentação e a adoção da jornada de trabalho na escala 5×2. A paralisação tem potencial para afetar o transporte público e a rotina dos cariocas.
Decisão judicial e medidas para garantir frota mínima
Na última sexta-feira, o Tribunal Regional do Trabalho da 1ª Região (TRT-1) reconheceu a legalidade da greve, mas determinou que pelo menos 50% da frota de ônibus circule em cada linha durante o período de paralisação. O sindicato dos rodoviários, Sintrucad-Rio, havia solicitado que a frota mínima fosse de 30% nos horários de pico e 15% nos demais períodos, além da suspensão dos descontos salariais nos dias parados. Por sua vez, o Rio Ônibus, sindicato patronal, pediu que a greve fosse considerada ilegal e que a frota mínima fosse de 90% nos horários de maior movimento, citando a grave crise financeira causada pelo atraso dos subsídios da prefeitura.
A desembargadora Maria Helena Motta negou o pedido das empresas e ressaltou que o direito à greve é constitucional, mas deve coexistir com a continuidade de serviços essenciais. “O transporte público urbano é um serviço básico e sua interrupção total comprometeria setores vitais, como hospitais, escolas e segurança pública”, destacou a magistrada em sua decisão. Ela também estabeleceu uma multa de R$ 50 mil para os sindicatos caso a frota mínima não seja cumprida e proibiu a contratação de motoristas temporários ou demissões motivadas pela greve.
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Reações das partes e perspectivas para a operação
O presidente do Sintrucad-Rio, Sebastião José, afirmou que a greve está mantida e que o sindicato cumprirá a decisão judicial de manter metade da frota circulando nos horários de pico. Ele declarou ter enviado ofícios aos consórcios e à direção do Rio Ônibus para garantir o cumprimento da determinação, embora ainda não tenha recebido resposta dos empresários.
Em comunicado, o Rio Ônibus informou que as negociações com o sindicato dos rodoviários continuam abertas e que as empresas buscam uma solução para o impasse. A Mobi Rio, empresa pública da prefeitura que administra algumas linhas e o sistema BRT, assim como o sindicato patronal, garantiram que a operação nesta segunda-feira será normal.
Por fim, a Prefeitura do Rio acompanha o desenrolar da greve e afirmou que tomará as medidas necessárias para minimizar os impactos à população, assegurando o direito de ir e vir dos cariocas. O município já solicitou à Justiça o aumento do percentual da frota mínima em circulação para ampliar a oferta de transporte durante a paralisação.

