Inauguração histórica da Trilha da Comprida no MONA Cagarras
O Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio) abriu, neste domingo (28), a Trilha da Comprida, situada na Ilha Comprida, uma das quatro ilhas que compõem o Monumento Natural das Ilhas Cagarras (MONA Cagarras), no litoral carioca. Essa inauguração marca um avanço significativo para o ecoturismo no estado, pois representa a primeira trilha insular oficial em uma Unidade de Conservação do Rio de Janeiro.
Além disso, a nova trilha passa a fazer parte da Trilha Transcarioca, integrando seu primeiro trecho oceânico. O percurso total da Transcarioca, que se estende por cerca de 180 quilômetros entre a Barra de Guaratiba, na Zona Oeste, e o Morro da Urca, na Zona Sul da capital, deixa de ser exclusivamente terrestre e oferece agora uma experiência em meio à natureza insular.
Três opções de percurso para visitantes
Aberta diariamente das 7h às 17h, sem possibilidade de pernoite, a Trilha da Comprida conta com sinalização interpretativa que destaca aspectos ambientais e históricos do arquipélago. Os visitantes podem optar entre três rotas de diferentes extensões e níveis:
- Percurso bate e volta: 400 metros pela face sul da ilha;
- Percurso curto: 800 metros, abrangendo as faces sul e norte;
- Percurso longo: 1,2 quilômetro, circuito completo pelas faces sul, norte e leste.
Tatiana Ribeiro, chefe do MONA Cagarras, ressalta a importância dessa novidade para a consolidação da unidade de conservação, que possui apenas 16 anos. Segundo ela, a trilha permite que moradores e turistas conheçam a fundo um dos cartões-postais mais preservados do Rio, compreendendo sua relevância para a biodiversidade marinha e insular.
Vistas exclusivas e observação da fauna marinha
Um dos grandes atrativos da trilha é a vista privilegiada da cidade sob uma perspectiva marítima. Durante o trajeto, é possível avistar atrações como as praias de Ipanema e Copacabana, a Pedra do Arpoador, o Morro Dois Irmãos, o Pão de Açúcar e o maciço do Parque Nacional da Tijuca, oferecendo um panorama pouco conhecido do Rio de Janeiro.
Leia também: Temporada de Baleias Jubarte no Rio de Janeiro Registra Crescimento de Passeios e Exige Cuidados Essenciais
Leia também: Descubra o Acre: Imersão em Turismo e Cultura no Rio de Janeiro
A face voltada para o oceano também é ideal para a observação de baleias-jubarte na temporada migratória entre junho e agosto, além de golfinhos e outras espécies marinhas. Do alto, os visitantes ainda visualizam as demais ilhas do arquipélago — Palmas, Cagarra, Filhote da Cagarra, Redonda e Filhote da Redonda — que são áreas dedicadas exclusivamente à conservação e pesquisa científica.
Biodiversidade da Mata Atlântica insular preservada
Ao longo da trilha, os visitantes encontram diversas espécies típicas da Mata Atlântica insular e vegetação de restinga, como cactos, bromélias e clúsias, que servem de habitat para animais locais. Entre eles, destacam-se a pererequinha-de-bromélia, aves como o tiê-sangue, além de fragatas e atobás-marrons, que utilizam as ilhas vizinhas para reprodução.
O MONA Cagarras também abriga uma rica biodiversidade marinha, com cavalos-marinhos, peixes recifais, baleias, golfinhos e importantes colônias de aves oceânicas, consolidando-se como uma das áreas mais relevantes para a conservação da vida marinha no litoral brasileiro.
Planejamento e cuidados para visitação segura
Embora não haja restrição legal para idade, o ICMBio recomenda que a trilha seja realizada por pessoas acima de 12 anos e sem limitações de mobilidade, devido ao acesso por “desembarque molhado”. Esse método exige nadar cerca de 30 metros entre a embarcação e a ilha, além de enfrentar um costão rochoso e superfícies irregulares e escorregadias durante o trajeto.
Classificada entre moderada e alta dificuldade, a trilha demanda atenção às orientações de segurança. O instituto recomenda o uso de transporte aquaviário e condutores credenciados, embora a visitação por conta própria seja permitida. É obrigatório consultar o Guia do Visitante, o Protocolo Operacional da Visitação e assinar o termo de ciência dos riscos, disponíveis nos canais oficiais e via QR Codes no local.
Leia também: Chamada Pública Seleciona Projetos Artísticos de Goiás para o Rio de Janeiro
Leia também: Ministério do Turismo e Líderes Debatem Inovação em Destinos Turísticos Inteligentes no Rio de Janeiro
Projeto sustentável e fortalecimento do turismo ecológico
A ideia da trilha surgiu em 2012, com pesquisadores e conselheiros de turismo ecológico da Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro (UNIRIO). Oficialmente incorporada ao Plano de Uso Público do MONA Cagarras em 2021, a trilha recebeu investimentos em infraestrutura, segurança, sinalização e capacitação.
Parte dos recursos veio do Fundo Brasileiro para a Biodiversidade (Funbio), por meio de Termos de Ajustamento de Conduta (TACs) ligados a incidentes ambientais envolvendo empresas do setor de petróleo e gás, reforçando o compromisso com a sustentabilidade.
Importância do MONA Cagarras para o Rio de Janeiro
O Monumento Natural das Ilhas Cagarras, criado em 2010 e administrado pelo ICMBio, está a cerca de cinco quilômetros da Praia de Ipanema e protege 91,23 hectares de ecossistemas marinhos e insulares. O local integra a lista internacional dos 160 “Pontos de Esperança” do planeta, reconhecendo sua relevância para a conservação da biodiversidade.
Além de preservar espécies endêmicas e ameaçadas, o arquipélago abriga a maior colônia reprodutiva de fragatas do Atlântico Sul e a segunda maior população de atobás-marrons da costa brasileira. Esses fatores reforçam sua importância para pesquisa científica, educação ambiental e turismo sustentável no Rio de Janeiro.

