Abertura da Copa do Mundo 2026 no Estádio Azteca
A maior edição da Copa do Mundo até hoje inicia sua jornada nesta quinta-feira com um cenário repleto de tensões e desafios. O tradicional Estádio Azteca, na Cidade do México, que comporta mais de 85 mil torcedores, será o palco do jogo inaugural entre México e África do Sul, marcado para as 16h (horário de Brasília). Esta partida simboliza o pontapé inicial de um torneio que, pela primeira vez, contará com 48 seleções e 104 jogos, um salto significativo em relação às edições anteriores.
Formato ampliado e grupos definidos
Após sete edições seguidas com 32 seleções, a Fifa, sob a liderança de Gianni Infantino, ampliou o Mundial para atender a promessas de campanha. As equipes foram distribuídas em 12 grupos, cada um com quatro seleções. O percurso rumo ao título ficou mais extenso, passando de sete para oito partidas para o campeão. Passam à segunda fase os dois melhores de cada grupo, além das oito terceiras colocadas com melhor desempenho. Essa fase inédita reunirá 32 times em confrontos eliminatórios de jogo único, com uma complexa tabela que evita que seleções do mesmo grupo se enfrentem na etapa seguinte.
Brasil, no Grupo C, enfrenta Marrocos, Haiti e Escócia. A estreia dos pentacampeões está marcada para sábado, às 19h, no MetLife Stadium, em East Rutherford, contra Marrocos, semifinalista da última Copa. O cruzamento da segunda fase será contra um time do Grupo F, que inclui Holanda, Japão, Suécia e Tunísia. O MetLife ainda sediará a grande decisão do torneio, no dia 19 de julho.
Show e homenagens na abertura
A cerimônia de abertura no Azteca promete celebrar os campeões das edições de 1970 e 1986, com apresentações musicais de peso. Shakira, presença emblemática em Mundiais, dividirá o palco com o cantor nigeriano Burna Boy. A programação de shows seguirá com eventos para as estreias dos Estados Unidos — que terá participação da cantora Anitta — e do Canadá no dia seguinte.
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Arbitragem brasileira e novas regras
O trio brasileiro Wilton Pereira Sampaio, Bruno Pires e Bruno Boschilia fará a arbitragem do jogo inaugural, aplicando as novas regras que visam acelerar o ritmo da partida, como a redução da cera e maior agilidade na reposição de bola e substituições. Essa estreia reforça a presença do Brasil nos bastidores do Mundial, além da atuação em campo.
Desafios logísticos e políticos para a Fifa
Organizar um Mundial em três países — Estados Unidos, México e Canadá — exigiu da Fifa uma divisão estratégica das cidades em blocos leste, central e oeste para minimizar deslocamentos. Ainda assim, houve exceções, como a Espanha, que jogará duas vezes em Atlanta antes de visitar Guadalajara, no México.
O torneio também é marcado por tensões políticas. O governo dos Estados Unidos, sob o comando de Donald Trump, esteve envolvido em conflitos internacionais, incluindo a captura do ditador venezuelano Nicolás Maduro e tensões com o Irã. O país persa chegou a ameaçar boicote, e houve dificuldades para a obtenção de vistos por parte da delegação iraniana, que precisará fazer deslocamentos entre México e EUA para seus jogos.
Polêmica na entrada de árbitros e controle migratório rigoroso
Outro episódio controverso foi a deportação do árbitro somali Omar Artan, que tentou entrar nos Estados Unidos com passaporte diplomático e teve seu visto negado por supostas ligações com grupos terroristas. Além disso, o serviço de imigração americano (ICE) intensificou as fiscalizações, causando atrasos na entrada de atletas e membros das delegações.
Preços elevados e protestos nas sedes
A política de preços dos ingressos gerou críticas pelo alto custo, com bilhetes para a final podendo alcançar até R$ 170 mil no mercado paralelo. O transporte entre cidades também teve aumento significativo, como a passagem de trem de Nova York a East Rutherford, que subiu de R$ 70 para R$ 800, recuando posteriormente para R$ 500 após protestos. O governo local disponibilizou ônibus escolares para minimizar o impacto financeiro aos torcedores.
No México, o cenário é marcado por violência em Guadalajara, após a morte do chefe do Cartel Jalisco Nova Geração, e protestos de professores na Cidade do México, que ocupam vias e derrubam estátuas destinadas à Copa do Mundo.
Favoritos e recordes em disputa
Entre os favoritos ao título, estão França, Portugal, Inglaterra e a atual campeã Argentina. Brasil e Alemanha, com mais títulos na história, aparecem em segundo plano nesta edição. Seleções como Marrocos, Holanda, Japão, Senegal, Noruega, Bélgica e Croácia também têm potencial para surpreender. O Mundial ainda pode marcar um recorde para Lionel Messi, Cristiano Ronaldo e o goleiro mexicano Ochoa, que, se atuarem, alcançarão a sexta participação em Copas do Mundo, um feito inédito.

