Uso de imóvel em Petrópolis gera questionamentos sobre relações com empresário
O ex-governador Cláudio Castro (PL) utilizou uma casa de luxo em Petrópolis durante parte de seu mandato, imóvel registrado em nome de uma empresa cujo dono multiplicou em 177 vezes o valor dos contratos firmados com o governo do Rio de Janeiro na gestão passada. Castro afirma que alugou a residência, mas não apresentou documentos que comprovem o contrato ou os pagamentos realizados.
A casa, situada no condomínio Villa Locanda, possui piscina, espaço gourmet e adega, e pertence ao CNPJ do condomínio, cujo proprietário é Luiz Fernando Gomes. Além do imóvel, Gomes é dono da empresa Engeprat, que assinou contratos com o Executivo estadual que somam R$ 355 milhões durante o governo de Castro. Antes da gestão, a Engeprat havia recebido pouco menos de R$ 2 milhões em contratos.
Versões conflitantes sobre propriedade e aluguel do imóvel
Castro declarou ter mantido um contrato de locação regular, com pagamentos feitos por transferência bancária, mas não especificou o destinatário dos valores nem forneceu comprovantes. O vínculo teria sido encerrado nos últimos meses, após o término do mandato. Por meio de sua assessoria, o ex-governador negou conflito de interesse e afirmou nunca ter tido relação jurídica ou comercial com a empresa ou com o empresário.
Luiz Fernando Gomes, por sua vez, afirmou que a casa foi vendida a um investidor em fevereiro de 2023, ainda na fase de construção, e que a situação cartorial não estaria atualizada. Segundo ele, o imóvel não pertence mais a ele e a locação fica a cargo do comprador, que não teve o nome divulgado. Gomes também negou ter alugado ou emprestado a casa a Castro.
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Contratos com governo e justificativas do empresário
A Engeprat é uma das 20 empresas de Gomes e firmou 13 contratos com o governo do estado do Rio de Janeiro, sendo 11 deles assinados após 2022, já sob a gestão de Castro. O contrato de maior valor é para prestação de serviços de topografia. Gomes relaciona o aumento dos contratos às obras contratadas após as tragédias ambientais ocorridas no início de 2022 em Petrópolis.
O empresário ressaltou que todos os contratos passaram pela análise dos órgãos fiscalizadores e que a empresa mantém atuação em vários estados, como Rio de Janeiro, Paraná, Santa Catarina e São Paulo, fundamentada em princípios éticos e profissionais. Ele negou qualquer favorecimento na ocupação do imóvel pelo ex-governador, reforçando que a residência não pertencia a sua empresa.
Uso frequente do imóvel e deslocamentos oficiais
Entre janeiro de 2024 e o início deste ano, Castro utilizou o imóvel com frequência. Nesse período, o então governador realizou ao menos 24 viagens de helicóptero oficial aos finais de semana para Petrópolis, pousando em helipontos próximos da residência. Em algumas ocasiões, estava acompanhado da família.
A assessoria do ex-governador afirmou que o uso das aeronaves oficiais seguiu critérios institucionais de segurança, agenda e logística definidos pelos órgãos competentes, e que os deslocamentos tiveram relação direta com a segurança institucional do governador.
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Investigações e ausência de provas sobre aluguel
O imóvel em Petrópolis não foi alvo das operações da Polícia Federal que atingiram Cláudio Castro em maio. As investigações focam no escândalo do Master e na influência da Refit, antiga Refinaria de Manguinhos, no governo do Rio, abrangendo endereços na capital do estado.
Castro também usou o argumento de pagamento de aluguel para justificar a cobertura de um apartamento no Rio de Janeiro que foi alvo da Polícia Federal. O imóvel, adquirido por uma empresa ligada a Mauro Farias, ex-secretário de Transformação Digital, custou R$ 3,5 milhões. Segundo o ex-governador, o aluguel mensal é de R$ 10 mil, embora não tenha apresentado comprovantes.
As conexões entre o imóvel usado por Castro e as empresas do empresário Luiz Fernando Gomes foram divulgadas inicialmente pelo portal Metrópoles e confirmadas pelo GLOBO.

