Impacto da operação da Polícia Federal na candidatura de Cláudio Castro
A segunda operação da Polícia Federal (PF) contra o ex-governador do Rio de Janeiro, Cláudio Castro (PL), realizada na manhã desta terça-feira (26), reflete um momento decisivo para sua carreira política. Em um intervalo de apenas 11 dias, a PF voltou a investigar Castro, o que pode levá-lo a desistir da candidatura ao Senado nas eleições deste ano, segundo aliados próximos ouvidos pela reportagem. Até então, Castro liderava as intenções de voto na pesquisa Quaest divulgada em 27 de abril, com 12% dos votos, à frente da segunda colocada, Benedita da Silva (PT), que tinha 10%.
O ex-governador conta com o apoio da família Bolsonaro para sua candidatura no Rio, mas a decisão final sobre sua participação na disputa será tomada pelo senador Flávio Bolsonaro (PL), pré-candidato à Presidência da República, após seu retorno de viagem aos Estados Unidos, previsto para quinta-feira (28).
Reconfiguração da chapa e alternativas para Castro
Frente às investigações e à possibilidade de inelegibilidade, aliados avaliam que Castro, na melhor das hipóteses, deve disputar uma vaga na Câmara dos Deputados. A eleição para deputado federal é mais pulverizada e menos focada na figura do candidato, o que reduziria o impacto das investigações que pesam contra ele. Ainda assim, sua participação no pleito depende da autorização da Justiça, já que o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) declarou sua inelegibilidade em março.
Com a provável saída de Castro da disputa pelo Senado, o deputado federal Carlos Jordy (PL) desponta como o nome mais cotado para ocupar a vaga. Jordy já manifestou publicamente sua disposição de assumir o desafio, destacando seu compromisso de restabelecer o equilíbrio entre os poderes. Outro nome que surge como opção é o do ex-chefe da Polícia Civil do Rio, Felipe Curi, filiado ao PP, cuja candidatura depende da eventual desistência do pré-candidato Márcio Canella (União Brasil), que tem apresentado desempenho fraco nas pesquisas.
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Decisão de Flávio Bolsonaro e articulações no PL
A definição final sobre a composição da chapa do PL no Rio será feita por Flávio Bolsonaro, que teve papel central na montagem da equipe eleitoral. Até o fechamento desta reportagem, ele não havia se manifestado sobre a nova operação da PF contra Cláudio Castro. A expectativa é que as decisões ocorram a partir do retorno de Flávio ao país, influenciando diretamente a estratégia do partido para o pleito.
Cláudio Castro construiu sua trajetória política sob a influência da família Bolsonaro, iniciando sua carreira em 2016 como vereador do Rio de Janeiro, eleito com 10.262 votos, impulsionado pelos mais de 106 mil votos de Carlos Bolsonaro. A operação atual da PF identificou que o RioPrevidência, instituto responsável pelos aposentados do setor público estadual, investiu R$ 3,7 bilhões no Banco Master, mesmo com alertas sobre os riscos da aplicação. Mensagens apreendidas apontam que tais movimentações dependiam de um “alinhamento político” entre Castro e o banqueiro Daniel Vorcaro.
Reações e desdobramentos políticos
O advogado de Castro, Carlo Luchione, declarou que o ex-governador acompanhou as buscas da PF “com serenidade”. A reportagem solicitou posicionamento oficial de Castro sobre a operação e a candidatura, mas ainda não recebeu retorno.
Aliados ouvidos preferiram não se manifestar oficialmente, mas expressaram preocupação de que a candidatura de Castro ao Senado possa prejudicar a pré-campanha de Flávio Bolsonaro à Presidência. Eles destacam que a exposição intensa do cargo de senador torna inviável a candidatura de alguém sob investigação, o que poderia atrair críticas constantes e afetar a imagem de Flávio, dado o relacionamento próximo entre ambos.
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O principal adversário do grupo Bolsonaro no Rio, o ex-prefeito Eduardo Paes (PSD), reagiu à operação utilizando as redes sociais para criticar o que chamou de “máfia” ligada a Castro, associando-o ao atual presidente da Assembleia Legislativa do Rio, Douglas Ruas (PL), seu provável concorrente na disputa pelo governo estadual. Ruas, por sua vez, não se pronunciou sobre os eventos recentes.
Análise política sobre o futuro de Cláudio Castro
A cientista política Mayra Goulart, professora da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), observa que Castro está perdendo os recursos que lhe conferiam poder, correndo até o risco de prisão. Segundo ela, caso não consiga renovar seu mandato, a prisão afastaria definitivamente seus aliados, repetindo um padrão visto em casos anteriores como o do ex-governador Sérgio Cabral.
Mayra ressalta que, diferentemente de seus antecessores, Castro chegou ao poder sem base sólida entre as elites e o eleitorado, utilizando a estrutura estatal para construir sua influência. Com o esgotamento dessas ferramentas, as investigações ganham força e comprometem sua posição política.

