Crescimento Econômico: Expectativas para 2025
As previsões para o Produto Interno Bruto (PIB) do Brasil em 2025 apontam um crescimento de 2,3%, segundo a mediana dos dados compilados pela Bloomberg. Se confirmado, esse índice representará o menor aumento econômico desde 2021, quando o país teve um crescimento de 4,8%, em um movimento de recuperação após a forte retração de 2020, que registrou uma queda de 3,3% devido à pandemia de Covid-19. Em 2022, o PIB cresceu 3%, seguido por aumentos de 3,2% em 2023 e 3,4% em 2024.
A desaceleração da economia já era uma expectativa entre especialistas. Juliana Trece, coordenadora do Núcleo de Contas Nacionais do FGV IBRE, salienta que, apesar do arrefecimento, o crescimento ainda é considerado robusto em comparação a um cenário adverso. “O PIB está desacelerando e cresce um pouco menos que nos anos anteriores. No entanto, isso não indica um desempenho ruim; na verdade, é um crescimento forte”, observa.
Componentes do PIB e Desafios
Segundo Juliana, a análise da composição do PIB revela que todos os principais componentes apresentaram crescimento, incluindo os setores agropecuário, industrial e de serviços. Entretanto, a maior parte desses segmentos teve um desempenho inferior ao dos anos anteriores. “Os principais responsáveis pela desaceleração foram os serviços e o consumo das famílias, impactados pela alta das taxas de juros e pelas restrições no crédito”, acrescenta.
O economista Rodolfo Margato, da XP, menciona que em 2025, os efeitos da política monetária restritiva se tornaram mais evidentes, afetando diversos setores, especialmente a indústria de transformação e o comércio varejista. “Essa situação explica em grande parte a previsão de crescimento mais modesta, próxima de 2% para o ano passado”, diz Margato.
Agropecuária como Motor do Crescimento
Apesar dos desafios, a produção agropecuária se destacou como um dos poucos componentes da oferta com crescimento superior ao do ano anterior. As projeções da XP indicam um aumento de 11%, enquanto o Monitor do PIB do FGV IBRE aponta uma alta de 11,6%. Juliana destaca que esse crescimento foi impulsionado principalmente pela safra recorde de grãos, incluindo soja e milho, concentrada no primeiro trimestre do ano.
“Já faz algum tempo que chamamos a atenção para a forte dinâmica da agropecuária e da indústria extrativa, que estão menos suscetíveis às oscilações da política econômica interna. Juntos, esses setores contribuíram com 0,9 ponto percentual para o crescimento do PIB em 2025. Sem essa contribuição, o PIB teria crescido apenas 1,4% e não os 2,3% previstos”, explica Margato.
Juliana completa destacando que o crescimento da agropecuária foi responsável por 0,7 ponto percentual desse aumento. “Isso é uma contribuição significativa, especialmente porque a agropecuária representa apenas cerca de 6% do PIB. Sem esse desempenho, o crescimento ainda ocorreria, mas em um patamar bem mais baixo”, comenta.
Exportações e Demanda Externa
Do lado da demanda, as exportações se destacaram, apresentando um crescimento superior ao de 2024, impulsionadas pelo aumento das vendas da produção agropecuária, além da indústria extrativa, principalmente com o petróleo. “Soja é um exemplo de produto com alta demanda externa. Um bom desempenho na safra reflete diretamente nas exportações. No segmento extrativo, o petróleo é nossa principal exportação, mas o minério de ferro também teve um desempenho favorável”, explica Juliana.
Porém, em meados de 2025, as tensões comerciais globais, com a imposição de tarifas pelos Estados Unidos sobre produtos brasileiros, geraram preocupações sobre as exportações. Apesar disso, os economistas afirmam que os impactos foram mais limitados do que se esperava, já que o Brasil conseguiu redirecionar sua produção para novos mercados.

