Concessionárias Sob Fogo: A Luta por Vias de Qualidade no Rio
Na Rua Duque Estrada, localizada na Gávea, Zona Sul do Rio de Janeiro, os moradores estão insatisfeitos com o estado do asfalto, que começou a se deteriorar logo após a execução de uma obra realizada pela concessionária Águas do Rio. Esse descontentamento é apenas um exemplo de como o descaso com a manutenção das vias públicas está se tornando um problema crescente na cidade.
Em outra área, no Largo do Machado, também na Zona Sul, um buraco permanece aberto há cerca de quatro meses, sem qualquer intervenção. Segundo relatos, uma equipe esteve por lá em busca de uma tubulação, mas deixou o local sem resolver o problema, gerando ainda mais frustração entre os moradores.
A situação se repete na Zona Norte. Na Rua Mariz e Barros, na Tijuca, há trechos comprometidos, com muitos remendos e ondulações, além de partes onde o pavimento cedeu, expondo o concreto.
Em Vila Isabel, um calombo se formou na Rua Visconde de Santa Isabel, enquanto, a poucos metros adiante, o pavimento cedeu em cima de remendos já existentes, resultando em buracos que continuam sem ser fechados. Na Zona Oeste, os relatos de problemas não são diferentes. A Estrada dos Três Rios, na Freguesia, apresenta remendos que afetam a suspensão dos veículos, enquanto moradores da Avenida Tenente-Coronel Muniz de Aragão, no Anil, afirmam que obras recentes ocasionaram buracos tanto na rua quanto na calçada.
Em resposta a essa situação alarmante, uma lei municipal, aprovada em 2022, obriga concessionárias e permissionárias a realizar reparos em danos causados durante obras em bens públicos, incluindo calçadas, muros, postes e vias. Os reparos devem manter as condições originais das estruturas, e o descumprimento pode resultar em uma multa diária de até R$ 2 mil.
A Secretaria Municipal de Conservação informou que, entre 2022 e o final de 2025, foram aplicados 23.828 autos de infração, totalizando mais de R$ 42,7 milhões em multas. O secretário municipal de Conservação, Diego Vaz, comentou sobre a situação: “Muitas vezes as concessionárias não têm o cuidado e o carinho que o cidadão carioca merece com a via. Frequentemente, precisamos refazer o trabalho porque a recomposição realizada pela concessionária não segue o que foi estabelecido nas normas da Prefeitura do Rio”.
O secretário também ressaltou que “o dispositivo existente hoje através da lei ainda é muito fraco e frouxo. Para grandes operadoras, acaba valendo mais a pena pagar a multa do que realizar um serviço bem feito”.
Em nota, a Águas do Rio declarou que já concluiu os reparos na rede da Rua Duque Estrada e que a repavimentação da via está programada. Em relação ao buraco no Largo do Machado, a concessionária afirmou não haver registros de obras recentes na área, afirmando ainda que segue protocolos técnicos para execução dos serviços e recomposição do pavimento.

