Mercado imobiliário do Rio registra alta impulsionada por aluguéis de temporada
O setor imobiliário do Rio de Janeiro enfrenta um aumento significativo nos preços dos aluguéis, motivado principalmente pela expansão dos contratos de curta temporada voltados a turistas. Nos últimos três anos, o valor médio para locação na cidade subiu 42,7%, acompanhado por uma queda de 30% na oferta de imóveis disponíveis para locação tradicional. Essa transformação afeta desde bairros nobres da Zona Sul até regiões das Zonas Norte e Oeste.
Proprietários preferem aluguel em dólar e reduzem imóveis para moradores locais
A mudança no perfil do mercado ocorre por conta do retorno financeiro mais atrativo dos aluguéis de temporada, frequentemente dolarizados. O economista Victor Tulli destaca que a migração dos proprietários para essa modalidade reduz a disponibilidade de imóveis para locação convencional. “Mais proprietários estão buscando colocar os imóveis para aluguel de temporada, que é um aluguel dolarizado, que rende mais que um aluguel tradicional. E por conta disso acabam tirando do aluguel tradicional”, explica.
Especialistas comparam o cenário atual com os períodos em que o Rio recebeu grandes eventos internacionais, como a Copa do Mundo de 2014 e as Olimpíadas de 2016, quando a demanda por aluguéis temporários também aumentou.
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Bairros com maiores altas e valores do metro quadrado
O impacto da alta nos aluguéis é sentido em várias regiões da cidade. Dados recentes indicam que o Centro lidera com um aumento de 48,8% nos últimos 12 meses, seguido por Del Castilho, na Zona Norte, com 48,5%; Jardim Oceânico, na Barra da Tijuca, com 27,1%; Laranjeiras, com 24,9%; e Copacabana, com 22,7%.
O Leblon permanece como o bairro com o metro quadrado mais caro da cidade, seguido por Ipanema. Nesses locais, alugar um apartamento de 60 metros quadrados ultrapassa os R$ 7 mil mensais. Esse cenário tem levado moradores a buscar alternativas em regiões mais afastadas da orla para conseguir aluguéis mais acessíveis.
Impactos no cotidiano e no planejamento das famílias no Rio
O aumento expressivo dos valores de aluguel e condomínio tem afetado diretamente o orçamento das famílias cariocas, que precisam rever suas escolhas de moradia. O publicitário André Abreu Júnior e a designer Taísa Alcântara, que atualmente pagam mais de R$ 4,5 mil para morar na Tijuca, planejam mudar para o Méier, na Zona Norte, em busca de custos mais baixos.
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Além dos preços dos imóveis, o custo de vida em bairros da Zona Sul também acompanha a alta. Moradores relatam preços elevados em itens básicos, como garrafas de água a R$ 8 e latas de refrigerante a R$ 10, especialmente em estabelecimentos frequentados por turistas. A produtora audiovisual Fernanda Cunha, que morava em Botafogo, precisou se afastar da orla para encontrar opções mais acessíveis, diante do fluxo contínuo de estrangeiros na cidade.

