Viagens em Jatinhos: Um Olhar Crítico
Flávio Bolsonaro, senador pelo PL do Rio de Janeiro e pré-candidato à Presidência da República, está no centro de uma polêmica envolvendo viagens em jatinhos emprestados por empresários. Documentos e informações coletadas pelo Estadão revelam que, em 2025, o senador fez pelo menos duas viagens com sua família utilizando esses meios de transporte exclusivos. A primeira delas ocorreu nas primeiras horas do dia 1º de maio, com destino à Flórida. Nessa ocasião, Flávio estava acompanhado de sua esposa e do advogado Willer Tomaz, utilizando um jato executivo de longo alcance cedido por um empresário não identificado.
Coincidentemente, essa viagem foi realizada logo após o aniversário de 44 anos do senador, que havia sido celebrado no dia anterior. A segunda viagem, conforme apurado, levou Flávio para o Rio de Janeiro em um jatinho que pertence a Willer Tomaz. Quando questionado sobre os custos e a natureza dessas viagens, o senador alegou que se tratavam de interesses familiares e pessoais, mas não esclareceu quem arcarou com as despesas referentes às aeronaves.
Em entrevista, Willer Tomaz, que mantém uma forte amizade com Flávio, negou ter recebido qualquer tipo de favorecimento do governo e também não esclareceu se houve compensação financeira pela utilização do jatinho. Documentos obtidos pelo Estadão demonstram que, no dia 30 de abril, Flávio e sua esposa ingressaram no terminal executivo do Aeroporto de Brasília às 23h37, na véspera do feriado. Ao mesmo tempo, o advogado Willer Tomaz também foi registrado entrando no terminal.
Às 0h26 do dia 1º de maio, um avião particular partiu do terminal com destino à Flórida. Esse jatinho está registrado em nome de uma empresa ligada aos proprietários da União Química, um laboratório químico-farmacêutico com sede em São Paulo, que já teve o escritório de Willer atuando em processos referentes a essa companhia. Na sexta-feira, 3, o Estadão tentou contato com Fernando Marques, um dos sócios da empresa proprietária da aeronave, mas não obteve retorno.
A aeronave de marca Bombardier é classificada como jato executivo de longo alcance, possuindo capacidade para transportar até 13 passageiros. Além da viagem para a Flórida, registros indicam que Flávio Bolsonaro utilizou um jatinho particular no dia 1º de abril, quando entrou no terminal com sua esposa e filhas. Menos de dez minutos após sua entrada, um outro jatinho, de propriedade de uma empresa ligada a Willer Tomaz, decolou rumo ao Rio de Janeiro. Este modelo é um Cessna 550 Bravo, com capacidade para oito passageiros.
Além dessas viagens, outros registros de voos particulares realizados por Flávio Bolsonaro foram encontrados, mas não se conseguiu determinar os destinos ou as aeronaves utilizadas. Willer Tomaz é uma figura bem conhecida nos corredores de Brasília, possuindo um bom relacionamento com diversos parlamentares e atuando em áreas como advocacia e negócios.
O advogado e senador aproximaram-se durante o período em que Jair Bolsonaro era presidente, mantendo conexões com políticos de diferentes partidos. Vale destacar que Willer Tomaz tem como sócio o ex-procurador Eugênio Aragão, conhecido por suas ligações com o PT. Historicamente, Willer enfrentou problemas legais, tendo sido preso em um episódio envolvendo Joesley Batista, mas o Tribunal Regional Federal da 1ª Região não encontrou provas suficientes para sustentar a acusação contra ele.

