Greve nas Universidades: USP, UERJ e 50 Instituições Federais Paralisam Atividades
Um cenário de greve tomou conta das principais universidades estaduais e federais do Brasil, incluindo a Universidade de São Paulo (USP) e a Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ). Mais de 50 instituições federais estão paralisadas, impactando aulas e serviços essenciais como os bandejões, o que afeta diretamente a rotina de aproximadamente 915 mil estudantes, quase a metade do total de alunos do ensino superior público no país.
A greve na USP, que começou na última terça-feira, surge como uma resposta à criação de um bônus de R$ 4,5 mil destinado a professores responsáveis por projetos estratégicos, o que causou a indignação dos técnicos. Eles alegam que essa medida representa uma clara desvalorização do seu trabalho, e entre as demandas estão a incorporação de R$ 1,6 mil aos salários e o fim da compensação de horas, que inclui períodos de feriados e recessos de fim de ano. Estudantes também se uniram ao movimento, pedindo o aumento nas bolsas de R$ 885 e R$ 335 para valores de R$ 1 mil e R$ 500, além de melhorias nas condições dos restaurantes universitários.
Com a greve, muitas aulas foram canceladas e serviços como o bandejão e espaços culturais estão com funcionamento prejudicado. Na Faculdade de Economia, Administração, Contabilidade e Atuária da USP (FEA), um piquete foi organizado por estudantes, que bloquearam o acesso ao prédio em protesto pela falta de diálogo com a coordenação da faculdade.
No mesmo dia da aprovação do bônus, o reitor Aluisio Segurado defendeu a medida como uma forma de valorizar a carreira docente e reter talentos, afirmando que isso seria essencial para o desenvolvimento social e a excelência acadêmica. No entanto, a reitoria da USP não comentou sobre a greve dos técnicos, limitando-se a mencionar que mantém diálogo com os estudantes sobre suas reivindicações.
Na UERJ, a paralisação teve início no final de março e inclui tanto professores quanto técnicos. As pautas de reivindicação abrangem recomposição salarial e questões orçamentárias. Recentemente, uma reunião entre representantes da reitoria, trabalhadores e estudantes foi realizada com o governador em exercício do Rio de Janeiro, Ricardo Couto, que se comprometeu a estudar as demandas apresentadas.
No âmbito das universidades federais, 51 instituições estão com suas atividades paralisadas devido à greve dos técnicos, conforme a Federação de Sindicatos de Trabalhadores Técnico-Administrativos em Instituições de Ensino Superior Públicas do Brasil (Fasubra). Essa mobilização é apoiada por alegações de que acordos firmados com o governo após a greve de 2024 não foram cumpridos. Entre as instituições afetadas estão a Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), a Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), a Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS) e a Universidade Federal da Bahia (UFBA).
As interrupções nas atividades resultaram na suspensão de serviços, como as refeições nos bandejões, e atrasou processos administrativos fundamentais para a liberação de bolsas que ajudam os estudantes a se manterem matriculados. A situação gerou preocupação entre os alunos, que dependem desse apoio financeiro para continuar seus estudos.
O movimento grevista evidencia a insatisfação crescente entre os trabalhadores do setor educacional, em um momento em que a educação pública enfrenta desafios significativos. As discussões em torno das condições de trabalho, valorização dos profissionais e o acesso adequado à educação continuam a ser temas centrais nas pautas das universidades, refletindo a necessidade urgente de diálogo entre as instituições e o governo.

