Alertas Antecipados Sobre Investimentos no Banco Master
Desde o início de 2024, diversas instituições do Rio de Janeiro vêm alertando sobre os riscos ligados ao investimento do dinheiro dos aposentados no Banco Master. O fundo previdenciário dos servidores públicos estaduais, o Rioprevidência, já enfrentava questionamentos sobre suas aplicações financeiras na instituição um ano antes da liquidação do banco, que ocorreu em 2025.
Em outubro de 2024, o conselho fiscal do Rioprevidência manifestou preocupação unânime com os investimentos em letras financeiras do Banco Master. Essas letras, que são títulos de renda fixa, funcionam como um empréstimo ao banco com retorno futuro acrescido de juros, porém não contam com a proteção do Fundo Garantidor de Créditos (FGC). Na época, o valor aplicado pelo Rioprevidência no Master já alcançava cerca de R$ 1 bilhão.
Suspeitas Crescentes e Reações do Tribunal de Contas
O presidente do conselho fiscal, Vinicius Zanata, destacou que, inicialmente, poucos entendiam a real situação do Banco Master, mas já havia sinais claros de que a instituição não operava como um banco tradicional, carecendo de lastro e atividade intermediária financeira.
Em julho de 2024, um episódio chamou atenção: a Caixa Econômica Federal recusou-se a adquirir R$ 500 milhões em letras financeiras do Master, considerando a operação incomum e arriscada.
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Com o aumento das suspeitas, o Tribunal de Contas do Estado recomendou, em outubro daquele ano, que o Rioprevidência suspendesse novos investimentos no banco. Apesar do alerta, as aplicações continuaram, levando a cobranças por explicações aos gestores do fundo. Em abril de 2025, o então diretor de investimentos, Euchério Lerner Rodrigues, defendeu as decisões tomadas, afirmando que as ações foram feitas exclusivamente no interesse do Rioprevidência.
Suspensão de Investimentos e Prisão do Controlador
Somente em outubro de 2025, o Tribunal de Contas proibiu novos aportes no Banco Master. O banco foi liquidado em novembro, e Daniel Vorcaro, controlador da instituição, foi preso pela primeira vez nesse mesmo mês.
O Rioprevidência foi o maior investidor em letras financeiras do Banco Master no país, com R$ 970 milhões aplicados. Outros 17 estados e municípios investiram, juntos, pouco mais de R$ 800 milhões.
Impactos e Perspectivas Para Recuperação dos Recursos
Além das letras financeiras, o fundo previdenciário aplicou aproximadamente R$ 2,6 bilhões em outros fundos vinculados ao Banco Master. A Polícia Federal, no entanto, estima que o prejuízo total seja ainda maior, chegando a R$ 3,7 bilhões.
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Vinicius Zanata expressou ceticismo quanto à recuperação dos valores, diante da gravidade das fraudes identificadas: “É difícil acreditar que esses recursos vão retornar aos cofres do Rioprevidência, mas esperamos que medidas judiciais cabíveis sejam tomadas para reverter essa situação.”
Em nota, o Rioprevidência informou que, em dezembro de 2025, conseguiu resgatar cerca de R$ 1,4 bilhão de um fundo administrado pelo Banco Master e que avalia novas ações para recuperar valores restantes.
Este caso reforça a importância da fiscalização rigorosa e da transparência na gestão dos recursos públicos, especialmente dos fundos previdenciários que sustentam a aposentadoria de milhares de servidores no Rio de Janeiro.

