Ex-prefeito de Belford Roxo é liberado após prisão com arma de fogo
O ex-prefeito de Belford Roxo, Márcio Canella, que também é pré-candidato ao Senado pelo União Brasil, foi solto após ser detido com um fuzil calibre .556 dentro de seu veículo durante a 6ª fase da Operação Unha e Carne, realizada pela Polícia Federal. A prisão ocorreu na terça-feira (7), mas o ministro Alexandre de Moraes determinou a soltura de Canella, impondo medidas cautelares para garantir o andamento das investigações.
Medidas cautelares e contexto da investigação
Segundo Canella, a arma encontrada pertencia ao policial militar responsável por sua segurança. Moraes destacou na decisão que essa alegação ainda precisa ser esclarecida durante o processo. Com a soltura, o ex-prefeito terá que usar tornozeleira eletrônica, entregar seu passaporte, terá o porte de armas suspenso e poderá responder ao processo em liberdade.
Inicialmente, Canella era alvo de um mandado de busca e apreensão nesta etapa da Operação Unha e Carne, que investiga uma rede de postos de combustíveis na Região Metropolitana do Rio que movimentou cerca de R$ 7,6 bilhões em um suposto esquema de lavagem de dinheiro com participação de políticos.
Trajetória política de Márcio Canella
Márcio Canella iniciou sua carreira política como vereador de Belford Roxo em 2012. Em 2015, foi eleito deputado estadual e cumpriu três mandatos na Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj). Durante esse período, ele se licenciou para assumir o cargo de vice-prefeito de Belford Roxo, entre 2017 e 2019, ao lado do prefeito Waguinho.
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Após as eleições presidenciais de 2022, os antigos aliados se distanciaram: Canella apoiou o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), enquanto Waguinho optou por Lula. Em 2024, Canella foi eleito prefeito de Belford Roxo, derrotando como principal adversário Matheus do Waguinho, sobrinho do prefeito.
No início de abril de 2026, Canella renunciou ao cargo para concorrer ao Senado, contando com o apoio do senador Flávio Bolsonaro e do deputado estadual Douglas Ruas. A vice-prefeita Mariana Malta assumiu a prefeitura após sua saída.
Desdobramentos da Operação Unha e Carne
Durante a ação da Polícia Federal, foram cumpridos 19 mandados de busca e apreensão em Niterói, São Gonçalo, Itaboraí, Resende e na capital do estado. Em uma das residências em Niterói, foram apreendidas armas, joias, dinheiro em espécie e carros de luxo.
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A Justiça também determinou o sequestro de bens e valores, além da suspensão das atividades econômicas das empresas vinculadas ao grupo investigado. As apurações tiveram início a partir de um relatório do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf), que identificou movimentação financeira suspeita de R$ 7,6 bilhões nos últimos seis anos.
A Polícia Federal informou que, além do crime de organização criminosa, os investigados podem responder por contratação direta ilegal, lavagem de dinheiro e outros crimes que surgirem durante as investigações.
Contexto legal e atuação do STF
Essa operação está inserida no contexto da decisão do Supremo Tribunal Federal (STF) relacionada ao julgamento da Arguição de Descumprimento de Preceito Fundamental (ADPF) 635/RJ, conhecida como ADPF das Favelas. Entre as medidas, o STF determinou que a Polícia Federal conduzisse investigações sobre possíveis relações entre agentes públicos e facções criminosas, reforçando o combate à corrupção e à criminalidade na região.

