Bloqueio de Recursos e Exonerações Marcam Início da Gestão Couto
O governador interino do Rio de Janeiro, Ricardo Couto, tomou uma medida controversa ao bloquear a liberação de R$ 730 milhões do Fundo Soberano, destinados a cidades do interior do estado. Esses recursos foram autorizados na última semana da gestão do ex-governador Cláudio Castro (PL), pouco antes de sua renúncia em março.
Conforme reportado pelo G1 e pelo telejornal RJTV2, da TV Globo, o repasse afetaria 16 municípios, com ênfase em obras de pavimentação e contenção de encostas. A assessoria de Couto declarou que o atual governador não foi informado sobre a medida antes de assumir, e que, por enquanto, os recursos permanecerão bloqueados. Os projetos propostos agora passarão por uma análise técnica sob a nova gestão.
Em resposta à controvérsia, Cláudio Castro contestou a afirmação de que houve uma liberação imediata dos valores. Em suas redes sociais, o ex-governador enfatizou que o comitê do Fundo Soberano apenas aprovou o enquadramento dos projetos, que é a primeira etapa de um processo que deve seguir critérios técnicos rigorosos. “Não existe decisão isolada, nem improviso”, assegurou Castro.
Além do bloqueio, o governo interino anunciou a exoneração de 94 servidores da área administrativa, elevando o total de desligamentos nas Secretarias de Governo e da Casa Civil para 638. As demissões foram oficializadas em uma edição extraordinária do Diário Oficial na última segunda-feira (20).
A Secretaria de Governo explicou que essas exonerações fazem parte de um processo de auditoria e revisão administrativa, com o objetivo de reduzir gastos e aumentar a eficiência do governo. A expectativa é de que essa medida resulte em uma economia anual de aproximadamente R$ 30 milhões, com cerca de R$ 8 milhões obtidos apenas com o último corte. Segundo a pasta, foram encontradas várias inconsistências funcionais, como a falta de registros de acesso a sistemas internos e credenciamento institucional, que justificaram as demissões.
Com essas ações, o governo interino do RJ busca não apenas reestruturar a administração pública, mas também dar uma resposta rápida a questões financeiras que se tornaram urgentes. A repercussão dessas medidas será um fator a ser observado, especialmente em um cenário político já conturbado no estado.

