Roland Garros: Destaque do tênis brasileiro em Paris
O tênis do Brasil voltou a ganhar holofotes em Roland Garros com a impressionante campanha de João Fonseca, carioca que alcançou as quartas de final do torneio parisiense. Antes dele, apenas Gustavo Kuerten, tricampeão em 1997, 2000 e 2001, havia atingido essa fase na chave masculina de simples. No último sábado (6), outro jovem talento brasileiro, o goiano Luis Guto Miguel, de apenas 17 anos, entrou para a história ao conquistar o título juvenil em Roland Garros, reforçando a força do país no cenário internacional do tênis.
A história pouco conhecida de Roland Garros e sua relação com o Brasil
Apesar do renomado torneio carregar seu nome, poucos sabem que Roland Garros não foi um tenista, mas sim um pioneiro da aviação no início do século XX. Nascido em 6 de outubro de 1888, ele demonstrou desde cedo interesse pelas máquinas voadoras. Durante sua passagem pela França, Garros conheceu o brasileiro Alberto Santos Dumont e pilotou o avião Demoiselle, invenção do próprio Santos Dumont, dominando o aparelho em uma época de alto risco para os aviadores.
Em 1913, Garros realizou a primeira travessia aérea do Mar Mediterrâneo, consolidando sua reputação como aviador. Sua ligação com o Brasil ficou marcada em dezembro de 1911, quando desembarcou no Rio de Janeiro. Em seus relatos, descreveu a cidade como um espetáculo, destacando a beleza da baía e do Pão de Açúcar.
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Explorando o Rio de Janeiro: voos e descobertas culturais
Durante sua estadia na capital federal da época, hospedado no Hotel Avenida, Garros explorou intensamente o Rio de Janeiro. Passeou pelas ruas em carro, aproveitou a vida noturna, visitou praias da Zona Sul, as cascatas da Floresta da Tijuca e subiu o morro do Corcovado, muito antes da construção do Cristo Redentor. O aviador realizou uma demonstração especial para o presidente da República, Marechal Hermes da Fonseca, tornando-se o primeiro a sobrevoar a Baía de Guanabara e registrar imagens aéreas da cidade de Niterói.
Além disso, Garros promoveu voos de demonstração partindo do Jockey Club — local onde hoje está o Estádio do Maracanã — até a região de Deodoro. Essas apresentações atraíram grande público e despertaram interesse da imprensa da época, que sugeriu sua contratação para instruir o Exército brasileiro em aviação. Após o Rio, seguiu para São Paulo e Santos antes de retornar à Europa.
Roland Garros: inovador na aviação militar e herói da Primeira Guerra Mundial
Com o início da Primeira Guerra Mundial em 1914, Garros alistou-se no exército francês e criou uma inovação fundamental para a aviação militar: uma metralhadora capaz de disparar através das hélices do avião sem danificá-las. Durante o conflito, foi capturado pelos alemães, mas conseguiu fugir de um campo de concentração e retornou ao front de batalha. Em 5 de outubro de 1918, na véspera de seu 30º aniversário, seu avião foi abatido nas Ardenas, onde faleceu.
O legado duradouro no tênis: o estádio Roland Garros em Paris
O nome de Roland Garros permanece vivo no complexo de tênis que homenageia o aviador, inaugurado em 1928 na Porte d’Auteuil, em Paris. O terreno para o estádio foi cedido pelo clube Stade Français, cujo presidente, Émile Lesieur, exigiu que o local carregasse o nome do amigo e ex-membro Roland Garros. Assim, o pioneiro da aviação, que viveu momentos marcantes no Rio de Janeiro, eternizou sua ligação com o esporte e a cidade, unindo história, aviação e tênis em uma única referência mundial.

