Partido Avalia Passos para Sucessão Governamental
Após assumir a presidência da Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj), Douglas Ruas manifestou sua intenção de dialogar com o governador interino e buscar apoio no Supremo Tribunal Federal (STF) para definir a linha sucessória no estado. Durante conversa com jornalistas, Ruas enfatizou: “Queremos conversar com as demais instituições por meio do diálogo. Pretendo procurar o governador em exercício e, após esse diálogo institucional, tomaremos as melhores decisões”.
O clima político no estado é tenso, especialmente após a saída do ex-governador Cláudio Castro (PL), que renunciou momentos antes de ser condenado por abuso de poder político nas eleições de 2022. Essa saída provocou um vácuo de poder no Palácio Guanabara. Para assumir temporariamente a governança, Ricardo Couto, presidente do Tribunal de Justiça do Rio, foi escolhido, uma vez que a presidência da Alerj estava vazia quando Castro deixou o cargo.
Atualmente, existem duas ações no STF que buscam esclarecer como será escolhido o sucessor de Castro: se por meio de voto popular direto ou indireto na Alerj. O julgamento está suspenso, devido a um pedido de vista do ministro Flávio Dino, defensor da eleição direta. Enquanto isso, a Corte determinou que Couto permaneça interinamente no cargo até que haja uma decisão.
Integrantes do PL estão analisando a melhor abordagem para garantir a continuidade da linha sucessória. O partido já havia protocolado um pedido no STF no final de março, buscando que o presidente da Alerj, assim que nomeado, assumisse o governo interinamente. Essa solicitação foi apresentada como “amicus curie” na ação em andamento. No entanto, o relator do caso, ministro Luiz Fux, ainda não se manifestou.
Douglas Ruas, que busca se afirmar politicamente no estado, almeja assumir a governança interina para aumentar sua visibilidade antes da eleição ordinária em outubro. Com apenas um mandato como deputado estadual, Ruas teve uma carreira significativa como secretário de Cidades durante o governo Castro, o que lhe proporcionou conhecer diversas regiões do estado. Contudo, sua notoriedade entre os eleitores ainda é limitada, conforme demonstram pesquisas internas realizadas pelo PL.
Em sua fala, Ruas reiterou a importância de eleições diretas para a escolha do governador interino até o final de 2026, afirmando: “Sempre defendi as eleições diretas. Temos o grande desafio de nos tornarmos conhecidos em todo o estado do Rio, e essa seria uma grande oportunidade para isso”.
Apesar do empenho do PL e das ambições de Ruas, fontes do Legislativo, do governo interino e do STF acreditam que a probabilidade é que Couto continue no cargo até que o STF se pronuncie sobre a realização de uma eleição suplementar. Há também uma possibilidade de que Couto permaneça até outubro, caso a Corte opte por não realizar uma nova eleição diante da proximidade da votação ordinária.
Douglas Ruas deverá enfrentar em sua candidatura ao governo o ex-prefeito Eduardo Paes (PSD), que busca novamente o Palácio Guanabara pela terceira vez. Paes, por sua vez, tentou criar obstáculos à eleição da presidência da Alerj, visando impedir que Ruas assumisse interinamente o governo antes do processo eleitoral, o que lhe garantiria visibilidade e o suporte da máquina pública.
Na coletiva de imprensa após sua posse, Ruas criticou os aliados de Paes que tentaram barrar a eleição na Alerj, afirmando: “É uma total incoerência. Nos últimos 20 dias, o grupo de Eduardo Paes chegou a um consenso sobre o candidato deles na Alerj, mas mudaram de ideia e tentaram influenciar diversos parlamentares sem sucesso”, concluiu.

