Decisão Judicial Afeta Aniversário de Jordão
Um show programado do cantor Evoney Fernandes, com custo de R$ 400 mil, foi suspenso pela Justiça do Acre. A apresentação estava marcada para o aniversário de 34 anos de Jordão, uma cidade com menos de 10 mil habitantes, e gerou polêmica devido à sua relevância em um contexto de vulnerabilidade social. A decisão liminar foi tomada a partir de uma ação do Ministério Público do Acre (MP-AC), que levantou questões sobre os gastos públicos em um município que enfrenta desafios significativos em áreas como saúde e educação.
De acordo com a Promotoria de Justiça Cível de Tarauacá e Jordão, a análise levaram em consideração indícios de sobrepreço e falhas na pesquisa de mercado para a contratação do artista. A Justiça destacou que o investimento elevado em um evento festivo não condiz com as prioridades da administração pública, que precisa focar em áreas críticas para a população.
A prefeitura de Jordão havia anunciado a programação do aniversário há apenas quatro dias, com Evoney Fernandes entre as atrações principais. A apresentação estava prevista para o dia 28 de abril, na praça central da cidade, onde grandes celebrações são normalmente realizadas.
Questões Sociais e Econômicas em Debate
O Censo de 2023 revelou que Jordão conta com aproximadamente 9,2 mil habitantes. O MP argumenta que a contratação de um artista com um valor tão alto para um show, em um município que possui indicadores sociais preocupantes e dificuldades estruturais, é incompatível com as necessidades da população local. “Investir um montante significativo em entretenimento festivo, nesse contexto, não é razoável”, afirmou um representante do MP.
A situação não é inédita para Evoney Fernandes. O cantor, que é também humorista e influenciador digital, tem mais de 10 milhões de seguidores em suas redes sociais e é frequentemente convidado para eventos em regiões do interior do Acre. Contudo, sua presença em festivais tem gerado controvérsias.
Há alguns meses, Fernandes se envolveu em uma polêmica ao criticar profissionais da enfermagem, afirmando em um vídeo que não se casaria com enfermeiras devido à “salinha de repouso”. Em agosto do ano passado, uma ação do MP já havia solicitado a substituição de um show seu, que custava R$ 380 mil, na 12ª ExpoCapixaba 2025, sugerindo que fossem priorizados artistas locais em razão da limitação orçamentária do município.
Implicações para a Cultura Local
A recomendação do Ministério Público visa garantir que os recursos disponíveis sejam utilizados de forma a atender às necessidades essenciais da população, como saúde, educação e assistência social. Essa abordagem procura fomentar a cultura local e evitar gastos excessivos com artistas de renome nacional em contextos onde a infraestrutura básica ainda apresenta falhas.
O caso de Jordão levanta questões sobre como as cidades pequenas podem preservar seus recursos enquanto buscam entretenimento e festividades que promovam a cultura. A decisão da Justiça, embora ainda não definitiva, cria um precedente importante e reflete uma crescente preocupação com a responsabilidade fiscal e a ética na administração pública, principalmente em tempos de crise econômica e social.

