Investimentos significativos para as favelas cariocas
O governo federal anunciou um aporte superior a R$ 700 milhões para a implementação do PAC Periferia Viva, que trará obras de urbanização, mobilidade, recuperação ambiental e adaptação climática para as favelas do Complexo do Alemão, Rocinha e Maré. Previsto para iniciar no segundo semestre, o programa inclui desde melhorias habitacionais até regularização fundiária, com projetos estruturantes que buscam transformar a realidade dessas comunidades.
Participação ativa das comunidades e foco na dignidade
Segundo Vitor Araripe, Secretário Nacional de Periferias (SNP) do Ministério das Cidades, o programa tem como objetivo principal promover a qualidade de vida das famílias e assegurar o acesso a direitos fundamentais. A estratégia parte da escuta ativa dos moradores e das organizações locais, garantindo que as ações reflitam as necessidades reais das periferias. “O Periferia Viva no Rio de Janeiro representa a retomada de uma política pública essencial: urbanizar favelas com infraestrutura, segurança, participação social e respeito à permanência das famílias nos territórios”, afirmou Araripe.
Desde 2024, os investimentos do terceiro governo Lula (PT) nas favelas e periferias do Rio somam R$ 923 milhões. O PAC, que chegou às favelas cariocas em 2008, marcou o início de uma nova etapa de urbanização, saneamento e construção de moradias populares. Alam Brum, do Instituto Raízes em Movimento, destaca que a principal mudança do novo PAC é a origem do programa: “A proposta não nasce dentro de um gabinete, nasce a partir do território. A participação é mais do que participação, é o protagonismo local”. Ele ainda ressalta que a proposta visa uma urbanização verde nas favelas.
Complexo do Alemão: infraestrutura e habitação
No Alemão, o PAC Periferia Viva prevê a construção de 162 novas unidades habitacionais, além da implantação de redes de esgoto, abastecimento de água, rede elétrica, iluminação, pavimentação, drenagem e áreas de lazer. A regularização fundiária também faz parte do projeto.
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Além disso, 140 residências foram selecionadas para receber reformas de até R$ 40 mil cada, com execução a cargo do Instituto Raízes em Movimento. O novo campus do Instituto Federal (IFRJ) no Alemão também está em andamento, contemplando 15 salas de aula, laboratórios, ginásio poliesportivo, restaurante, auditório e uma biblioteca de quase 260 m².
Rocinha: mobilidade e saneamento em foco
Na maior favela do Brasil, o programa prevê intervenções em cerca de 280 mil m², envolvendo infraestrutura urbana, mobilidade, meio ambiente e requalificação do Parque Ecológico. Um destaque é o Terminal Intermodal, em área desapropriada pela prefeitura, que organizará o acesso ao transporte público, integrando vans, micro-ônibus, mototáxis e o metrô de São Conrado.
O urbanista e morador Antonio Xaolin enfatiza a importância de retomar obras do Plano Inclinado da Rocinha para melhorar a mobilidade interna. Ele também alerta para a necessidade urgente de obras de saneamento, especialmente na região do sub-bairro Valão e Boiadeiros, que sofre alagamentos frequentes causados por águas contaminadas, gerando riscos à saúde.
Os projetos do PAC na Rocinha baseiam-se no Plano Diretor de 2008 e avançam para a construção de um plano de ação participativo, envolvendo moradores, agentes municipais e o programa Periferia Viva. Em fevereiro, mais de 600 pessoas participaram do encontro de apresentação do programa, demonstrando grande interesse e expectativa.
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Maré: adaptação climática e espaços comunitários
Na Maré, a primeira fase do PAC prevê a criação do Parque Linear na Vila Pinheiro, em área degradada às margens da Baía de Guanabara. O parque contará com áreas de lazer, quadra poliesportiva, anfiteatro, hortas comunitárias e um ecoponto da Companhia Municipal de Limpeza Urbana (Comlurb) para coleta e destinação correta de resíduos.
Um dos eixos centrais é a adaptação climática, desenvolvida em parceria com a ONG Redes da Maré. Entre as soluções estão jardins para retenção de chuvas, composteiras em escolas, telhados verdes e hortas comunitárias em unidades básicas de saúde.
As obras também incluem requalificação fluvial, desassoreamento e contenção das margens dos canais, além de facilitar o acesso ao transporte público, especialmente ao BRT Transbrasil e à estação de trem de Bonsucesso. As futuras fases ampliam as intervenções para outras localidades da Maré, com levantamento técnico em articulação com instituições locais realizado no Posto Territorial da comunidade.

